Quarta-Feira de Cinzas

    A Quaresma é um tempo de intensa busca de conversão. Nela, cada pessoa e cada comunidade são convidadas à revisão de toda a vida, no desejo de superar aquilo que não está de acordo com que Jesus viveu e ensinou. No Brasil, há várias décadas também celebramos neste tempo a Campanha da Fraternidade. Este ano, refletiremos o Tema: “Fraternidade e Diálogo: compromisso de amor” e o lema “Cristo é a nossa paz” (Ef. 2.14).

   A Primeira Leitura mostra o grito do Profeta Joel “Convertei-vos”. O povo que virara as costa a Deus, devia voltar novamente o coração para Ele, e retomar o culto no templo, um culto autentico, que manifestasse a conversão interior. O povo pode voltar novamente para Deus, porque Ele é misericordioso, e também pode mudar de ideia e voltar atrás.

 

   No evangelho Jesus pede aos seus seguidores uma justiça superior à dos escribas e fariseus.

“Guardai-vos de fazer  as vossas obras diante dos homens, para vos tornardes notados por eles”. Como Bispo aconselho, há que está atentos às motivações que nos levam a dar esmola, a orar, a jejuar, porque o Pai vê o que está oculto, os sentimentos profundo do coração. Se buscamos a aprovação dos homens, a vanglória, Deus nada tem para nos dar. Mas se buscamos a comunhão com Ele, seremos recompensados. Como Bispo desejo que sua esmola, sua oração e seu jejum sejam remédios para renovar, nesse tempo de pandemia, a sua fé, sua caridade e sua esperança. 

 A Segunda Leitura faz um apelo “Reconciliai-vos com Deus”. Como Bispo Eleito da Igreja Vetero Católica Fidelitas, digo a você que está lendo essa homilia: a reconciliação é possível, porque é essa a vontade do Pai, manifestada na obra redentora do Filho e no poder do Espírito que apoia o serviço de nós Bispos, diáconos, presbitérios, pastores e todo povo de Deus. A leitura proclama o juiz de Deus sobre o pecado e o seu amor pelos pecadores, pelos quais não poupou o seu próprio Filho. O tempo da quaresma é um tempo favorável para aproveitar essa graça.

Portanto, que a prática dos exercícios quaresmais nos abrem silenciosamente para o encontro com Aquele que é a plenitude d vida. Lembrando sempre que o jejum é esvaziamento, uma expropriação, tentativa de deixar-nos atingir pela graça da liberdade com que Cristo nos presenteou. O Jejum nos abre para receber a vida nova, vida de liberdade, de dignidade. A oração é a exposição de quem espera ser atingido pela misericórdia d’Aquele que nos amou primeiro e até o fim. A esmola é o amor partilhado. É deixar-se tomar pela dinâmica  da caridade; é sair de si mesmo; é deixar tocar pela presença do outro, especialmente do mais necessitado. E tudo isso no segredo. Deus pai vê tudo.

+Dom Júnior de Jesus (Bispo Eleito)