Homilia do XXIII Domingo do Tempo Comum

HOMILIA DO XXIII DOMINGO DO TEMPO COMUM

   Se não podemos impor ao irmão a mudança de vida, nem por isso devemos nos omitir em lhe apresentar a verdade que brota da Palavra de Deus. Na verdade a liturgia de hoje nos lembra da nossa responsabilidade face aos irmãos que nos rodeiam. 

   A primeira leitura tirada Ezequiel 33, 7-9,  fala que devemos prestar atenção aos dois aspectos da mensagem de Ezequiel: o aviso e a promessa. Aqueles que insistem em rebelar contra Deus devem ouvir os avisos. Os que são fiéis a Deus devem encontrar encorajamento e esperança. Atento aos projetos de Deus e a realidade do mundo, o profeta fala daquilo que está a atrapalhar a obra de Deus e a impedir a felicidade dos homens.  Uma coisa é certa, ninguém pode ficar indiferente diante daquilo que ameaça a vida. O que ameaça a vida em nosso tempo? Como Bispo Eleito digo uma das ameças: ameaças climáticas, guerra nuclear, pandemias, fome, politização politica, intolerância religiosa, eutanásia, legalização do aborto, feminicídio, escassez de água e outros recursos naturais, etc.

   O Evangelho de Mateus 18, 15-20, nos apresenta palavras tão duras de Jesus. Elas são uma grande advertência a nos despojarmos de tudo que nos fecha ao amor e a graça. Jesus ensina, hoje, que o caminho correto para atingir esse objetivo não passa pela humilhação ou pela condenação de quem falhou, mas pelo dialogo fraterno, leal, amigo, que revela ao irmão que nossa ação resulta do amor.

   Quando alguém nos prejudica ou nos faz uma injustiça, frequentemente fazemos o oposto do que Jesus recomenda. Nós nos afastamos, com ódio ou ressentimento, buscamos vingança ou nos envolvemos em mexericos. Segundo o evangelho deveríamos procurar essa pessoa, em primeiro lugar, por mais difícil que isso possa ser. Então, devemos perdoar essa pessoa, tão frequentemente seja necessário. Isso criará uma possibilidade muito maior de restauração do relacionamento. Como Bispo, aconselho a você que está lendo essa homilia: quando você estiver diante da difícil tarefa de confrontar um irmão ou irmã cristã com seu pecado, certifique-se de que você está se concentrando na restauração da santidade e na união, e não simplesmente fazer alguém pagar pelo mal que fez.

   Na segunda leitura tirada de Romanos 13, 8-10, Paulo convida os cristãos a colocar no centro da vida diária o mandamento do amor. Fica a pergunta? Por que o amor pelos outros é chamado de obrigação? Nós temos uma dívida permanente com Cristo, pelo amor generoso que Ele derramou sobre nós. A única maneira com que podemos pensar em começar a pagar essa dívida é amando os outros. Como o amor de Cristo é infinitamente maior do que o nosso, teremos sempre a obrigação de amar nosso próximo.

   Portanto, ao longo desse Mês dedicado a Bíblia, tomemos consciência que a Palavra de Deus é Sagrada. Por quê dizemos que a Palavra de Deus é Sagrada? Examinemos o texto de Ex. 3, 2-6, quando Javé manda que Moisés tire as sandálias dos pés para aproximar-se do lugar de onde Deus estaria. Esse lugar é santo por causa da presença de Deus. É Deus quem o sacraliza. Assim também, a Bíblia é Sagrada porque é o lugar de Deus.

   Enfim, com a ajuda dessa Palavra Sagrada peçamos ao Espirito Santo que nos purifique das más condutas que desvalorizam o nosso testemunho. Que Ele nos torne conscientes da dívida de mútuo amor de uns para com os outros. Que o Espírito do Senhor seja para cada um fonte de discernimento e de coragem para responder, ao longo da semana, as perguntas: qual é o cuidado missionário que está em nós para transmitir a Palavra Sagrada aos nossos irmão? O nosso amor para com eles é forte para os convidar a uma mudança de conduta, se necessário? O amor ao próximo é para nós uma dinâmica de conversão pessoal e comunitária?

 

+Dom Júnior de Jesus