3º Domingo da Quaresma

 A Misericórdia nos diz que sempre existe a chance da conversão.

   Os obstáculos e desafios que a vida nos impõe são ocasiões para renovar a nossa fé e a nossa perseverança. Em sua Misericórdia, o Pai do Céu faz sua parte. Cabe a nós fugir de toda atitude prepotente e preconceituosa, pois nós todos somos pecadores.

Homilia do 3º Domingo da Quaresma – C - Liturgia diária

   A primeira leitura (Ex 3,1-8a.13-15) mostra que para Israel, o Êxodo torna-se, assim, o modelo e paradigma de todas as libertações. A partir desta experiência, Israel descobriu a pedagogia do Deus libertador e soube que Jahwéh está vivo e atuante na história humana, agindo no coração e na vida de todos os que lutam para tornar este mundo melhor. Israel descobriu – e procurou dizer-nos isso também a nós – que, no plano de Deus, aquilo que oprime e destrói os homens não tem lugar; e que sempre que alguém luta para ser livre e feliz, Deus está com essa pessoa e age nela. Na libertação do Egito, os israelitas – e, através deles, toda a humanidade – descobriram a realidade do Deus salvador e libertador.
   O Evangelho (Lc 13,1-9) contém uma proposta principal que Jesus apresenta neste episódio que chama-se conversão. Não se trata de penitência externa, ou de um simples arrependimento dos pecados; trata-se de um convite à mudança radical, à reformulação total da vida, da mentalidade, das atitudes, de forma que Deus e os seus valores passem a estar em primeiro lugar. É este caminho a que somos chamados a percorrer neste tempo, a fim de renascermos, com Jesus, para a vida nova do Homem Novo. Concretamente, em que é que a minha mentalidade deve mudar? Quais são os valores a que eu dou prioridade e que me afastam de Deus e das suas propostas?

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   A segunda leitura (1 Cor 10,1-6.10-12) nos questiona o que é essencial na nossa vivência cristã? O cumprimento de ritos externos que nos marcam como cristãos aos olhos do mundo (ou dos nossos superiores)? Ou é uma vida de comunhão com Deus, vivida com coerência e verdade, que depois se transforma em gestos de amor e de partilha com os nossos irmãos? O que é que condiciona as minhas atitudes: o “parecer bem” ou o “ser” de verdade?

   Assim também os coríntios, embora tenham recebido o Batismo e participado da Eucaristia, não têm a salvação garantida: não bastam os ritos, não basta a letra. Apesar do cumprimento das regras, os sacramentos não são mágicos: não significam nada e não realizam nada se não houver uma adesão verdadeira à vontade de Deus. Aos “fortes” e “auto-suficientes” de Corinto, Paulo recorda: o fundamental, na vivência da fé, não é comer ou não carne imolada aos ídolos; mas é levar uma vida coerente com as exigências de Deus e viver em verdadeira comunhão com Deus.

   Portanto, o 3º Domingo da Quaresma, nos chama a atenção de que o Reino está próximo e que o sentido da vida consiste em viver na proteção divina. A conversão, portanto, é um gesto de sensatez. É o que se espera de quem se afastou dos caminhos de Deus, preferindo os caminhos mundanos. Intercedamos a graça do discernimento, para que saibamos perceber como Deus nos atrai ao seu encontro e como indica seus caminhos. Caminhando em direção à festa da Páscoa, abramos nossos corações para a conversão e reconciliação que o Senhor deseja realizar em nossas vidas e na história da humanidade.

+Dom Júnior de Jesus (Bispo Eleito)