6º DOMINGO DO TEMPO COMUM

“BEM AVENTURADOS OS POBRES”

   Com este domingo inicia-se a leitura do discurso da “planície”, com que Lucas apresenta a nova lei: a vida moral do cristão. No fundo toda moral natural se pode resumir nesta norma: age segundo aquilo que és. A ação moral está incluída na linha da natureza. Na Bíblia as coisas são diferentes. As bem-aventuranças não são lei, mas evangelho. A lei abandona o homem às próprias forças e não o incita a adaptar-se à ela até o extremo. O evangelho, ao contrário, põe o homem diante do dom de Deus e o incita a fazer desse inexprimível dom o fundamento de sua vida.

   O tema fundamental da primeira leitura tirada de  Jeremias 17, 5-8, é portanto, o da confiança/esperança. A primeira parte da antítese (vers. 5-6) denuncia o homem que se apoia noutro homem e prescinde de Deus. Não se trata de dizer que não devemos confiar nos que nos rodeiam e apoiar-nos neles; trata-se de denunciar essa autossuficiência de uma humanidade que já não precisa de Deus, nem vê n’Ele essa rocha segura que tudo sustenta. Prescindir de Deus e não contar com Ele significa construir uma existência limitada, efémera, raquítica, a que falta o essencial, como um arbusto plantado no deserto, condenado precocemente à morte.

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   A segunda parte da antítese (vers. 7-8) apresenta, em imagem, a vida daquele que confia em Deus e n’Ele coloca a sua esperança: é como um arbusto plantado à beira da água, que pode mergulhar as suas raízes bem fundas e que encontra vida em plenitude. A imagem sublinha, sobretudo, a segurança, a solidez, a paz, a fecundidade, a abundância de vida.

   No Evangelho tirado de Lucas 6, 17.20-26, Jesus apresenta uma nova compreensão da existência, bem distinta da que predomina no nosso mundo. A lógica do mundo proclama “felizes” os que têm dinheiro, mesmo quando esse dinheiro resulta da exploração dos mais pobres, os que têm poder, mesmo que esse poder seja exercido com prepotência e arbitrariedade, os que têm influência, mesmo quando essa influência é obtida à custa da corrupção e dos meios ilícitos. Mas a lógica de Deus exalta os pobres, os desfavorecidos, os débeis: é a esses que Deus Se dirige com uma proposta libertadora e a quem convida a fazer parte da sua família. O anúncio libertador que Jesus traz é, portanto, uma Boa Nova que enche de alegria os corações amargurados, os marginalizados, os oprimidos. Com o “Reino” que Jesus propõe aos homens, anuncia-se um mundo novo, um mundo de irmãos, de onde a prepotência, o egoísmo, a exploração e a miséria serão definitivamente banidos e onde os pobres e marginalizados terão lugar como filhos iguais e amados de Deus.

   A segunda Leitura tirada de 1 Coríntios 14,12.16-20, mostra que os coríntios por sua cultura grega, não podiam compreender como um corpo morto podia regressar à vida; para eles a separação do corpo e a da alma na morte era irreversível. Paulo insiste em que a fé cristã se fundamenta na ressurreição de Jesus: Se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé (1Cor 15,14).

   A ressurreição de Jesus não equivale à ressurreição de um cadáver que morrerá depois, como a do filho da viúva de Naim e a de Lazaro. Cristo ressuscita com um corpo glorioso para viver para sempre com seu Pai, e permanece na comunidade eclesial atraves de seu espirito.

   Com seu imenso poder, Deus dará definitivamente a nossos corpos a vida incorruptível unindo-os a nossas almas, por virtude da ressurreição de Jesus. O como acontecerá isso ultrapassa nossa imaginação e nosso entendimento, mas o podemos captar na fé. De fato, na Eucaristia vivemos já uma antecipação da ressurreição, pois ao participar do Corpo de Cristo adquirimos a esperança da ressurreição.

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   Portanto, A esperança do reino supera a vida material. É a esperança que se baseia no Cristo ressuscitado (2ª leitura): “Se temos esperança em Cristo tão-somente para esta vida, somos os mais lamentáveis de todos!” Aquele que se tornou pobre para nós é que nos enriquece com a dádiva do amor infinito do Pai, que ele revela no dom da própria vida. O reino que Jesus anuncia aos pobres, decerto, começa com a justiça e a fraternidade, mas tem um horizonte que nosso olhar terreno nunca alcança!

+Dom Junior de Jesus (Bispo Eleito)