8º DOMINGO DO TEMPO COMUM

NÃO EXISTE DISCÍPULO SUPERIOR AO MESTRE

    Neste 8º Domingo do Tempo Comum Igreja convida a Comunidade Eucarística a uma atitude de sinceridade em todo o seu modo de ser e de agir. A sinceridade consiste na transparência daquilo que é verdadeiro. E para que o testemunho do cristão seja verdadeiro, deve começar pela conversão pessoal.

     A primeira Leitura tirada do Eclesiástico 27, 5-8 ensina que a palavra revela claramente o íntimo do coração do homem. É possível ao homem fingir, enganar, disfarçar, ser ator e encenar determinados tipos de comportamento, mas a palavra revela-o e põe a nu os seus sentimentos mais profundos.
A conclusão é, pois, óbvia: não devemos deixar-nos condicionar pela primeira impressão ou por gestos mais ou menos teatrais que nada significam: só a palavra expressa a abundância do coração.

   No Evangelho de hoje (Lc 6,39-45), Jesus adverte que antes de julgar e apontar o dedo para os outros, devemos cuidar com o que nós mesmos estamos fazendo ou como estamos vivendo. O período histórico em que vivemos deve ser encarado como um tempo da graça para pensar nossas vidas, para questionarmos como foram reduzidas nossas relações com os outros e com a nossa casa comum.

   Somos uma só humanidade necessitada do Espírito para nos dar novos olhos, para abrir nossas mentes e corações. Não podemos viver uns sem os outros, ou pior, uns contra os outros.

   Busquemos, pois, semear fraternidade, respeito e compaixão. Vivendo sempre na presença do Senhor, confiando nossas vidas a Seu amor, pois “o homem bom, do bom tesouro do seu coração tira o que é bom, mas o mau, de seu mal tira o que é mau; porque a boca fala daquilo de que está cheio o coração” (Lc 6,45).

   Na segunda Leitura 1 Cor 15, 54-58, Paulo registra que o decisivo é que a morte tenha perdido para sempre o seu poder. Tanto em relação a Cristo, como em relação aos cristãos, não é o “como” da ressurreição que interessa, mas o facto em si. E, para Paulo, o fato em si é incontestável, está para além de toda a dúvida.

   A ressurreição de Cristo garante-nos que o nosso Deus é o Senhor da vida. Assim, percorremos o nosso caminho neste mundo com total serenidade e confiança: sabemos que Deus está ao nosso lado sempre, vigiando – como uma mãe que cuida do seu bebé; e que, quando chegar a última fronteira, o nosso último fechar de olhos, a nossa saída deste mundo ou entrada no outro, também então podemos estar tranquilos, porque o nosso Deus/mãe continua vigilante. Ele é o Deus da vida, que nos garante a plenitude da vida.

   Portanto, como homens e mulheres batizados devemos ser humildes; humildes e cheios da graça divina. A boca deve falar do que o coração está cheio. A história da trave e do cisco convidou-nos a refletir sobre a hipocrisia. É fácil reparar nas falhas dos outros e enveredar pela crítica fácil que, tantas vezes, afeta a reputação e fere a dignidade das pessoas; é difícil utilizar os mesmos critérios de exigência quando estão em causa as nossas pequenas e grandes falha. Somos tão exigentes conosco, como somos com os outros? Temos consciência da nossa necessidade permanente de conversão?

+Dom Júnior de Jesus (Bispo Eleito)