3º DOMINGO DO TEMPO COMUM

Somos o Corpo de Cristo

   A liturgia de hoje nos convida a estar sempre perto do Senhor, a ouvir e meditar continuamente sua Palavra de paz, acolhimento e misericórdia. Participemos, por- tanto, de nossa Eucaristia dominical, na certeza de que também para nós a Palavra de Deus se faz presente e quer chegar aos nossos corações e às nossas vidas e, por nós, ao mundo inteiro.

  A primeira leitura (Neemias 8,2-6.8-10), mostra que o povo se reuniu em assembleia para escutar a leitura da lei e renovar a aliança. Nós do catolicismo renovamos nossa aliança com Deus na missa, a qual tem duas partes: a Liturgia da Palavra e a Liturgia Eucarística.

   A Palavra de Deus dá a cada Eucaristia um enfoque particular, que varia segundo o ciclo litúrgico. Sua proclamação é tão importante, que se faz de um lugar especial próximo do altar, chamado ambão.

   No Evangelho tirado de Lucas 1,1-4; 4, 14-21, Jesus manifesta de forma bem nítida a consciência de que foi investido do Espírito de Deus e enviado para pôr fim a tudo o que rouba a vida e a dignidade do homem. A nossa civilização, há vinte e um séculos que conhece Cristo e a essência da sua proposta. No entanto, o nosso mundo continua a multiplicar e a refinar as cadeias opressoras. Porque é que a proposta libertadora de Jesus ainda não chegou a todos? Que situações hoje, à minha volta, me parecem mais dramáticas e exigem uma ação imediata?

   Lucas não pode guardar para si o que os “testemunhas oculares e ministros da Palavra” lhe transmitiram. Então, decide escrever ao seu amigo Teófilo “para que ele tenha conhecimento seguro do que lhe foi ensinado». Depois de Teófilo e da sua comunidade cristã, somos convidados por Lucas e pelos outros três evangelistas a crer na Palavra, esta Palavra que muitos assinaram com o seu sangue. Não é o que, aliás, pede Jesus aos seus compatriotas de Nazaré: acreditar na Palavra? 

  A segunda Leitura ( 1Corintios 12,12-30 ou 12-14,27), mostra que todo grupo social ou religioso corre o risco de perder a coesão e a unidade quando seus membros agem em sentidos diferentes e entortam mutuamente seus papéis e funções. Nunca deixa de existir gente que acredita que merece mais que os outros ou que os outros lhe fazem sombra. Quando Paulo compreende que a jovem comunidade de Corinto sofre sintomas de desunião, compara a comunidade com um corpo e seus membros para injetar-lhe um senso de união e solidariedade, visualizando essa imagem pela perspectiva cristã.

   Paulo diz que nós cristãos somos membros vivos do corpo ativo de Cristo, o que é um mistério, e por isso dizemos que a Igreja é o “corpo místico de Cristo”. Nele todos os membros, com sua diferentes funções, são igualmente importantes. Que honra e que orgulho ser membros do corpo de Cristo! Como é grande a missão herdada por Cristo! Como é valioso e indispensável ser consciente de que meu irmão na fé não é nem mais nem menos que eu, não importando o dom ou talento que possuamos.

Portanto, O primeiro olhar de Jesus não se dirige ao pecado das pessoas, mas ao sofrimento que arruína suas vidas. A primeira coisa que toca seu coração não é o pecado, mas a dor, a opressão e a humilhação que homens e mulheres padecem. Nosso maior pecado consiste precisamente em fechar-nos ao sofrimento dos outros para pensar apenas em nosso próprio bem-estar.

   Jesus se sente “ungido pelo Espírito” de um Deus que se preocupa com os que sofrem. É esse Espírito que o impele a dedicar sua vida inteira a libertar, aliviar, curar, perdoar: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu. Enviou-me para dar a Boa Notícia aos pobres, para anunciar aos cativos a liberdade e aos cegos a visão, para pôr em liberdade os oprimidos, para anunciar o ano de graça do Senhor”.

+Dom Junior de Jesus (Bispo Eleito)