2° DOMINGO DO TEMPO COMUM

“Façam o que Ele lhes disser”

      Assim como faltou vinho no matrimônio acontecido em Caná da Galileia, também em nossas vidas muitos acontecimentos retiram a paz e a esperança. Confiantes no Deus que não nos quer abandonados, participemos desta Eucaristia dominical fortalecidos no amor do Deus misericordioso.

   A primeira leitura tirada de (Isaias 62,1-5) , mostra-nos que o amor de Deus pelo seu Povo é um amor que nada consegue quebrar: nem o nosso afastamento, nem o nosso egoísmo, nem as nossas recusas. Ele está sempre lá, à espera, de forma gratuita, convidando ao reencontro, ao refazer da relação; e esse amor gera vida nova, alegria, festa, felicidade em todos aqueles que são atingidos por ele. Como lidamos com um Deus cuja alegria é amar e cujo amor, quando é acolhido, nos renova continuamente?

   Viver em relação com o Deus-amor implica também dar testemunho, ser “profeta do amor”. Somos sinais vivos de Deus, com o amor que transparece nos nossos gestos? As nossas famílias são um reflexo do amor de Deus? As nossas comunidades anunciam ao mundo, de forma concreta, o amor que Deus tem pelos homens?

   O Evangelho mostrar o primeiro milagre em (João 2, 1-2) e note seus aspectos chave. Além da mediação de Maria diante de Jesus para socorrer uma urgente necessidade, nós no catolicismo vemos nesse ato uma alusão ao poder de Jesus para transformar o vinho em seu sangue na celebração eucarística. Reflita sobre o poder de Jesus para transformar algo em uma espécie distinta e na doce preocupação de Maria para fazer chegar uma necessidade perante Jesus.

   Como os noivos de Caná, convide Jesus e sua mãe a serem parte de sua vida diária e dos momentos especiais. Quando tiver uma preocupação, e sua alegria se acabar e se esgotar sua motivação à compreensão, ao serviço e à solidariedade, recorra a Maria. Ela o ajudará a identificar o “vinho” que está terminando, o animará a se aproximar da Eucaristia e pedir a seu Filho: “Veja, está acabando o vinho”, e a você lhe dirá: “Faça o que ele lhe disser”; se o fizer, Jesus transformará sua vida e lhe dará novo ânimo.

   A segunda leitura tirada de (1Corintios 12,4-11) nos fala dos dons do Espírito ou carismas. Costumamos dizer que uma pessoa tem carisma quando manifesta uma personalidade radiante e atraente. Nos tempos de Paulo o termo “carisma” se usava para descrever os dons gratuitos que Deus dá para solucionar necessidades concretas da comunidade e fomentar sua união.

   Observe como a maioria dos dons são comuns, como o carisma da liderança, o dom do conselho, e outros tem caráter extraordinário, como os dons de fazer milagres, de cura e de línguas.

   Os carismas são a força de Deus em uma pessoa, que passa a outros e à comunidade através do serviço. Por isso, quem tem um carisma deve usá-lo com responsabilidade, alegria e paz para o bem de todos, e não se sentir maior ou mais importante que os outros e superior aos que têm dos mais simples.

   Portanto, quando a relação com Deus assenta num jogo intrincado de ritos externos, de regras e de obrigações que é preciso cumprir, a religião torna-se um pesadelo insuportável que tiraniza e oprime. Ora, Jesus veio revelar-nos Deus como um Pai bondoso e terno, que fica feliz quando pode amar os seus filhos. É esse o “vinho” que Jesus veio trazer para alegrar a “aliança”: o “vinho” do amor de Deus, que produz alegria e que nos leva à festa do encontro com o Pai e com os irmãos. A nossa “religião” é isto mesmo, o encontro com o Jesus que nos dá o vinho do amor?

+Dom Júnior de Jesus (Bispo Eleito)