33º DOMINGO DO TEMPO COMUM

IMORTALIDADE, VIDA ETERNA E RESSURREIÇÃO

   A liturgia de hoje nos apresenta a meditação sobre o final dos tempos. Mais do que assustados, devemos estar preparados para o encontro definitivo com o Senhor.

  A primeira leitura tirada de Daniel 12,1-3, mostra-nos que a vida dos justos não é inútil aos olhos de Deus. Se forem fiéis a Deus, seus nomes estarão escritos em seu coração e ressuscitarão para viver eternamente com ele. Unida à fé na ressurreição está a certeza do juízo final e da retribuição por sua conduta: Muitos…despertarão, uns para a vida eterna, outros para a ignominia, a infâmia eterna (Dn 12,2).

   Daniel descreve os justos ressuscitados que brilham como as estrelas, visto que, ao ressuscitar, seremos transformados plenamente. Fala da ressurreição pessoal, de maneira mais clara que Sabedoria 5,15 2 2Macabeus 7,23.

   É claro que todos queremos ressuscitar e estar com Deus. Por enquanto, essa verdade requer de nós a fé. No juízo final compreenderemos os caminhos admiráveis de Deus, cujo o amor é mais forte que a morte (Ct 8,6).

   No Evangelho tirado de Marcos 13,24-32 a mensagem é clara: verão o Filho do Homem voltar sobre as nuvens com grande poder e glória (v. 26). E também é claro seu chamado à vigilância cristã. Trata-se de estar sempre atentos e preparados para a chegada do Senhor, através de uma esperança ativa, certos de seu triunfo definitivo contra o mal.

   Jesus quer que continuemos trabalhando pela ampliação do Reino de Deus, que estejamos atentos com uma atitude de vigilância para nos encontrarmos com ele e que tenhamos o coração aberto para receber seu perdão e sua misericórdia. Cristo deseja que confiemos em sua vinda e superemos qualquer atitude passiva, apoiados pela oração, pelos sacramentos e pelo exercício da caridade.

   A segunda leitura de Hebreus 10,11-14.18, deixa claro que Deus, mais do que sacrifícios e oferendas, prefere que façamos sua vontade e santifiquemos a comunidade como o fez Jesus. A Igreja celebra e prolonga esse sacrifício único e irrepetível de Cristo de duas maneiras: Na Eucaristia, Jesus se faz presente e vivo para a comunidade eclesial. Na oferenda dos cristãos, como corpo místico de Cristo, continua-se a obra salvadora de Jesus na humanidade.

   Ao ser Jesus o único sacerdote e estarem os cristãos enxertados nele pelo batismo, todos participamos de seu sacerdócio, sendo pontes entre Deus e nossos irmãos. Por isso, no catolicismo valorizamos o sacerdócio batismal, consideramo-nos “raça sacerdotal” e falamos do “sacerdócio real” ou “sacerdócio dos fiéis”.

   Os bispos, os presbíteros ou sacerdotes e os diáconos são ordenados no Espírito do sacerdócio de Jesus para doar-se à comunidade eclesial e celebrar os sacramentos que nos inserem na vida de Deus. Por isso se chama “sacerdócio ministerial”, ou seja, “a serviço da comunidade”.

   Portanto, diante de exposições tão claras da Palavra de Deus, resta-nos, humildemente, pedir ao Senhor a graça do discernimento para que, diante do poder sedutor de tantas coisas que passam (status, poder, sucesso), abraçamos as que não passam. O certo é continuar confiando nesse Deus libertador, Senhor da história, que tem um projeto de vida definitiva para os homens. Ele vai- dizem os nossos textos – mudar a noite do mundo numa aurora de vida sem fim.

+Dom Júnior de Jesus(Bispo eleito)