30º DOMINGO DO TEMPO COMUM

   A liturgia de hoje nos descreve  a cura de um cego nos arredores de Jericó. É além disso, uma catequese elaborada com mão de mestre, que nos convida à mudança e nos incita à conversão.

   A primeira leitura de hoje (Jeremias 31, 7-9), nos diz que o Deus em quem acreditamos não é um Deus insensível e alheado das dores e dificuldades dos homens; mas é um Deus sensível e atento, que cuida dos seus filhos com cuidados de pai. Ao longo do percurso que vamos percorrendo pela história, também nós fazemos, como os antigos israelitas, a experiência da escravidão, da dependência, do medo, do desespero, da decepção. A Palavra de Deus que hoje nos é servida garante-nos: não estamos sozinhos frente aos nossos dramas e sofrimentos; Deus vai ao nosso lado e, com amor de pai, cuida de nós, dá-nos a mão, conduz-nos ao encontro da vida eterna e verdadeira. A nós resta-nos reconhecer a sua presença e com humildade e simplicidade, aceitar o seu amor.

   O Evangelho tirado de Marcos 10, 46-52, nos ajuda a responder a questão: o que implica aceitar a proposta que Jesus faz? Fundamentalmente implica, como aconteceu com Bartimeu, tornar-se discípulo. Ser discípulo de Jesus é aderir à sua pessoa, acolher os seus valores, viver na obediência aos projetos do Pai, fazer da vida um dom de amor aos irmãos; é solidarizar-se com os pequenos, com os pobres, com os perseguidos, com os marginalizados e lutar por um mundo onde todos sejam acolhidos como filhos de Deus, iguais em direito e em dignidade; é lutar contra as estruturas que geram injustiça, opressão e morte; é ser testemunha, com palavras e com gestos, da verdade, da justiça, da paz, da reconciliação.

   Bartimeu, logo que ouviu dizer que Jesus o chamava, atirou fora a sua capa e correu ao encontro de Jesus. O gesto de Bartimeu representa, aqui, a renúncia imediata à vida antiga, ao egoísmo, ao comodismo, à escravidão, aos comportamentos incompatíveis com a adesão a Cristo e a esse caminho novo que Jesus o convida a percorrer. É isso, também, que é pedido a todos aqueles a quem Jesus chama à vida nova.

   Para a segunda leitura de hoje (Hebreus 5,1-6), ao assumir a nossa humanidade, Jesus experimentou a nossa fragilidade, a nossa debilidade, a nossa dependência; tornou-se, portanto, capaz de compreender os nossos erros e falhas e de olhar para as nossas insuficiências com bondade e misericórdia. Para a nossa vida concreta, há duas consequências que resultam daqui. A primeira leva-nos à confiança e a esperança: junto de Deus nosso Pai, temos um intercessor que entende as nossas dificuldades e que, apesar das nossas falhas, continua apostado em integrar-nos na família de Deus. A segunda leva-nos ao compromisso com os irmãos: a solidariedade de Cristo conosco convida-nos à solidariedade com os pequenos, com os últimos, com os pobres, com aqueles que o mundo rejeita e marginaliza.

   Portanto, a liturgia de hoje propôs-nos o caminho de Deus para libertar o homem das trevas e para o fazer renascer para a luz. Como Bartimeu, o cego, os cristãos são convidados a acolher a proposta que Jesus lhes veio trazer, a deixar decididamente a vida velha e a seguir Jesus no caminho do amor e do dom da vida.

+Dom Junior de Jesus (Bispo Eleito)