27º DOMINGO DO TEMPO COMUM

JESUS RECEBE E ABRAÇA AS CRIANCINHAS

   A liturgia de hoje nos convida a rever nossa relação com o próximo, ajudando-nos a perceber que nenhum ser humano pode se considerar o centro do mundo, pois nós vivemos num mundo de relacionamentos e fraternidade.

  A primeira leitura Gênesis 2, 18-24, mostra-nos que o pó da terra e o sopro divino indicam que o ser humano é matéria e espírito: um corpo animado por uma alma imortal, com desejos de voltar para Deus. “Fizeste-nos para ti, e nosso coração não encontra repouso até chegar a tí” diz Santo Agostinho.

   A criação da mulher da costela do homem simboliza que ambos temos igual dignidade, sem distinção de sexo, idade, raça ou grau de educação. Mostra que a unidade do casal é a comunhão mais intima entre as pessoas.

   Deus faz desfilar os animais diante do ser humano para que lhes dê nome, pois dar nome era sinal de poder e de autoridade. Todas as coisas foram criadas para o ser humano, que é responsável por elas, pelo que devemos usá-las com respeito e amor. Nessa verdade se apoia a ecologia, ou ciência que cuida do equilíbrio da criação.

   No Evangelho de Marcos 10,2-16 ou 2,12, os discípulos pensam que as crianças incomodam Jesus e querem impedir que suas mães as levem a ele. Jesus ordena que as deixem se aproximar; abraça –as, abençoa-as e aproveita para dizer-nos que o Reino de Deus é para aqueles que são como crianças.

   Como uma criancinha que se admira de tudo, se confia aos braços de quem a ama, possui uma olhar simples e um coração aberto, assim o adulto deve se abrir às mudanças que o Reino exige. Você pode aproximar-se de Jesus com a confiança, a ilusão e o abandono de uma criancinha? Receberá sua ternura e sua bênção para continuar amadurecendo sempre na vida.

   A segunda leitura (Hebreus 2,9-11), indica que como ser humano, Jesus é a perfeita imagem de Deus. Vive e convida a viver diante de Deus, cheios de fé e confiança em que Deus é um Deus da vida, e por isso não se deve temer a morte, a qual é só temporária.

   Jesus não só aceitou os publicanos, as prostitutas e outros pecadores públicos, mas saiu ao encontro dos que estavam oficialmente excomungado e marginalizados pela religião judaica, para reconciliar-nos com Deus e reincorporar-nos à vida social e religiosa.   Buscou os que estavam perdidos e se fez irmão com o pobre, o doente, o marginalizado e o explorado, dizendo-lhes: também você tem acesso a Deus.

    Portanto, Jesus reafirma o projeto original de Deus para o homem e para a mulher: eles foram chamados a formar uma comunidade estável e indissolúvel de amor, de partilha e de doação. A separação não está prevista no projeto ideal de Deus, pois Deus não considera um amor que não seja total e duradouro. Só o amor eterno, expresso num compromisso indissolúvel, respeita o projeto primordial de Deus para o homem e a mulher. Para o casal que quer viver na dinâmica do Reino, a separação não deve ser uma proposta sempre em cima da mesa. Marido e esposa têm que esforçar-se por realizar a sua vocação de amor, apesar das dificuldades, das crises, das divergências e dos problemas que, dia a dia, a vida lhes vai colocando. A Igreja é chamada a ser no mundo, mesmo contra a corrente, testemunha do projeto ideal de Deus.

+Dom Junior de Jesus (Bispo Eleito)