Homilia do XVIII Domingo do Tempo Comum

HOMILIA DO XVIII DOMINGO DO TEMPO COMUM

Neste tempo de pandemia, somos convidados a recordar hoje a multiplicação dos pães, um grande convite de Jesus para percebermos que o amor divino é gratuito e compassivo. Através de gestos solidários de corações abertos a caridade, este amor vai se concretizando dia a dia, semana a semana e mês a mês ao longo do período da pandemia. Como bispo oro por você que tem se dedicado ao longo deste período epidêmico, a matar a fome de muitos através da Palavra de Deus, da escuta do outro, do conselho, da acolhida, da entrega de cestas básicas, nas doações de máscaras e álcool em gel, etc.

    A primeira Leitura tirada do Livro de Isaías 55, 1-3 chama-nos, antes de qualquer coisa, a descobrir este Deus providente, amoroso e dedicado e a colocar nossa vida nas suas mãos.Também, somos incentivados a sermos testemunhas deste Deus no meio da sociedade faminta de ouvir a Palavra de Deus e desesperada por falta, muitas vezes, do básico para sobreviver e ter que suportar em meio a uma pandemia, politização política, discursos de ódio, fake news, falsas promessas, intolerância, etc..

  Também é verdade que Deus não cessa de nos oferecer a salvação, também é verdade que nós nem sempre acolhemos a oferta que Deus nos faz. Muitas vezes escolhemos caminhos de egoísmo e de auto-suficiência, à margem do “banquete” de Deus. Na leitura que nos foi proposta, há um apelo a não gastar o dinheiro naquilo que não alimenta e o trabalho naquilo que não sacia. Corresponde a um convite a não nos deixarmos seduzir por falsas miragens de felicidade e a não gastarmos a vida a beber em fontes que não matam a nossa sede de vida plena e verdadeira.

   O Evangelho (Mateus 14,13-21), apresenta-nos Jesus, o novo Moisés, cuja missão é realizar a libertação do seu Povo. O evangelho, também, mostra que Jesus buscou o isolamento depois de receber a notícia da morte de João Batista. Aqui, chamo sua atenção nessa homilia de hoje, Jesus não se concentrou na sua tristeza, mas retornou ao ministério que viera realizar. Irmaos e irmãs nós temos muitos momentos de tristezas em nossa trajetória neste mundo, mas isso não pode tirar-nos da missão que Deus nos confiou. Como testemunho pessoal, irmãos e irmãs, se eu fosse me insolar e me entregar na tristeza, não teria voltado ao ministério do qual Deus me confiara. Como Bispo Eleito da Igreja Vetero Católica Fidelitas, te aconselho, aconteça o que acontecer com você, não se entregue, não deixe Satanás colocar na sua cabeça que você é um fracassado, que você é um amaldiçoado, que você é um excomungado, que você não tem mais jeito, é um perdido, volte a missão que o Senhor te confiou. Não tenha medo e não se preocupe com o julgamento humano. Lembre-se, Deus te quer na missão.

   Jesus realizou alguns milagres, como sinais da sua identidade. Ele usou outros milagres, para ensinar importantes verdades. Mas aqui, lemos que ele curava as pessoas porque tinha compaixão delas. Nunca se esqueça meu irmão e minha irmã, Jesus era e é uma pessoa amorosa, carinhosa e sensível. Quando você estiver sofrendo, lembre-se que Jesus sofre com você. Ele compadece de você.

Portanto, a multiplicação dos pães alude aos sinais de Jesus que cumpre as promessas messiânicas. Ao sair do barco, Jesus vê uma grande multidão, se compadece deles, curando os que estavam doentes. Ao cair da tarde, os discípulos sugerem mandar embora as multidões cansadas para comprarem comida nos povoados. A compaixão dos discípulos não se traduz em iniciativas aptas a saciá-los. Jesus ordena aos discípulos: “Dai-lhes vós mesmos de comer”. Ficam perplexos. Só têm cinco pães e dois peixes. Jesus, com gestos que conhecemos bem, toma os pães e os peixes, olha para o céu e pronuncia a benção. Depois parte os pães e os peixes. Dá-os aos discípulos para que distribuam as multidões. Envolve os discípulos na sua missão messiânica: tem compaixão, ensina, dá de comer através das mãos daqueles que nada tinham de próprio para dar a não ser os míseros cinco pães e dois peixes. É o banquete messiânico. Meus irmãos e minhas irmãs, digo a vocês nesta homilia com muita fé e confiança: Deus não se cansa de derramar os seus bens para o povo que ama qual sua Esposa. Esta cena aponta para a Eucaristia e o ministério daqueles a quem Jesus dirá depois: “Fazei isto em memória de mim”. Deus cumpre as promessas em Jesus e por meio dos que constitui seus ministros. Neste primeiro Domingo de Agosto, somos chamados a meditar sobre as vocações ao ministério ordenado e a rezar pelos Padres. Nesta homilia peço a você que reze por mim, que estou me preparando para consagração Episcopal. Suas orações são muito importantes para o meu ministério. Reze, também, por todos os diáconos celibatários ou casados; todos os padres celibatários ou casados; todos os bispos celibatários ou casados. Ou seja, reze neste dia de hoje pelo ministro ordenado que está servindo a comunidade, independe de sua situação. Pedindo ainda ao Deus das vocações que envie operários para sua messe e que os operários ouçam e atendam ao chamado do Senhor Jesus Cristo.

   Quem nos separará do amor de Cristo?(Segunda Leitura Romanos 8, 35.37-39). Para Paulo, há uma constatação incrível, que não cessa de o espantar: Deus ama-nos com um amor profundo, total, radical, que nada nem ninguém consegue apagar ou eliminar. Esse amor veio ao nosso encontro em Jesus Cristo, atingiu a nossa existência e transformou-a, capacitando-nos para caminharmos ao encontro da vida eterna. Ora, antes de mais, é esta descoberta que Paulo nos convida a faze. Nos momentos de crise, de desilusão, de perseguição, de orfandade, quando parece que o mundo está todo contra nós e que não entende a nossa luta e o nosso compromisso, a Palavra de Deus grita: “não tenhais medo; Deus ama-vos”.

   Enfim, rezemos ao longo desta semana por todos os famintos da nossa terra e por todas as formas de pobreza: os mendigos de pão, de atenção, de ternura, de justiça e de paz. Dá-nos a coragem de lhes deixar mais do que as migalhas. Por todos os nossos irmãos e irmãs desencorajados, ameaçados pelo desanimo, a angustia, a perseguição, a fome os perigos. E por teus discípulos, encarregados de distribuir o pão produzido pelos nossos pobres meios; que a benção cumule as nossas refeições diárias com a graça do teu Espírito santo.

 

+Dom Júnior de Jesus (Bispo Eleito)