SOLENIDADE DO SANTÍSSIMO CORPO E SANGUE DE CRISTO

   A Igreja celebra a Eucaristia sem cessar, mas a festa de hoje nos recorda a grandeza deste mistério. Desde as celebrações nas grandes catedrais até as que se realizam em capelas improvisadas, desde as Eucaristias pelas quais se louva e se agradece a Deus até aquelas onde as lágrimas que brotam da dor são colocadas diante do altar, desde as missas que são celebradas para grandes multidões até as que acontecem no silêncio das clausuras, desde as missas que nos chegam pelos meios de comunicação até aquelas que são celebradas em contextos de perseguição religiosa, o mistério é sempre o mesmo: a Eucaristia renova a presença de Jesus, que, sendo grande, se fez pequeno em favor da humanidade.

   A primeira leitura (Êxodo 24,3-8), apresenta a confirmação da aliança. A ratificação da aliança renova o compromisso de fidelidade aos mandamentos dados por Deus ao povo no Sinai. Na celebração, Moises asperge com o sangue o altar que representa Deus e o povo reunido; com este símbolo, Deus e o povo ficam unidos de forma vital. Esse rito é figura da nova aliança, na qual Jesus nos une vitalmente ao Pai ao entregar seu sangue.

   Como Bispo Eleito da Igreja Vetero Católica Fidelitas, desejo que o Espírito do Senhor, introduza no coração de cada irmã e irmã, que está lendo essa homilia, a força, a luz e o amor de que necessita para vivificar a aliança batismal com todas as sus exigências de fidelidade.

   No Evangelho (Marcos 14,12-16.22-26), Jesus celebra, junto com os discípulos, sua última ceia, antes de ser julgado e condenado. Com esse ato, ele dá novo sentido aos gestos rituais e oferece o pão e o vinho, tornando se a vítima e realizando o sacrifício da aliança. Os comensais da Eucaristia alimentam-se do Corpo e Sangue de Cristo, que se oferece como alimento para a vida nova e definitiva.

   A segunda leitura (Hebreus 9,11-15), nos recorda o sacerdócio perfeito de Cristo. Todas as têm alguma forma de sacerdócio. Os sacerdotes são mediadores entre a divindade e os crentes, responsáveis pelos lugares, templos, ritos sagrados e encarregados de reconciliar o pecador com Deus.

   No Antigo Testamento, o sacerdócio de Israel era hereditário e pertencia aos descendentes de Aarão da tribo de Levi. Havia três níveis: o sumo sacerdote, os sacerdotes e os levitas, que realizavam seu ministério no templo de Jerusalém e ofereciam sacrifícios também por seus próprios pecados.

   O sacerdócio de Jesus é diferente: Jesus é sacerdote e oferenda ao mesmo tempo, uma oferenda perfeita porque é o Filho de Deus que se oferece ao Pai pelo perdão do pecado de seus filhos.

   O sacrifício de Jesus é irrepetível, por ser o único Filho de Deus que se doa como oferenda. A oferenda de Jesus mostra a máxima solidariedade, pois, sem ter pecado, se ofereceu ao Pai pelos pecados de seus irmãos e irmãs.

  A Eucaristia presidida pelos sacerdotes da Igreja é um memorial do sacrifício de Jesus na cruz, realizado de uma vez por todas.

   Portanto, a Eucaristia é o coração da comunidade cristã, seja no sentido de ser a parte central, que une a todos, seja no sentido de ser, como o faz o coração, a distribuidora do sangue da vida comunitária. Assim como podemos dizer que sem a Eucaristia a comunidade perderia sua força de ser, também podemos dizer que sem a Eucaristia a comunidade jamais chegaria a ser “um só coração e uma só alma” (At 4,32), uma comunhão com Deus (Jo 17,21).

+Dom Junior de Jesus (Bispo Eleito)