SAGRADA FAMÍLIA DE JESUS, MARIA E JOSÉ

   Assumindo nossa natureza humana, Jesus quis ter a experiência mais intima de cada um de nós: a vida em família. No humilde lar em Nazaré, a Palavra por meio da qual nós fomos criados, nos vocaciona a viver o mistério de amor e de reconciliação. Por isso, o Natal é a festa da família. Oremos uns pelos outros a fim de que, num tempo onde, para muitos, a família perdeu o seu sentido, possamos redescobrir nesse Domingo da Oitava de Natal a fonte da unidade familiar.

   Na primeira leitura, por exemplo (Eclo 3,3-7.14-17), o autor sagrado apresenta uma série de instruções para os filhos face a seus pais, especialmente quando estiverem na velhice, necessitados de apoio e atenção. A caridade, a paciência e a compreensão certamente levarão este filhos a fazer escolhas nem sempre conciliáveis com os planos de sucesso e bem-estar que poderiam ter traçado para si. No entanto, ao se deixarem conduzir pela generosidade e pela gratidão, serão capazes de ter o coração preenchido pela benção de terem cumprido os apelos que Deus lhes apresentou na fragilidade de seus genitores.

   O Evangelho (Lc 2,22-40 ou 22.39-40), põe-nos diante da Sagrada Família de Nazaré apresentando Jesus no Templo de Jerusalém. A cena mostra uma família que escuta a Palavra de Deus, que procura concretizá-la na vida e que consagra a Deus a vida dos seus membros. Na figura de Ana e Simeão, Lucas propõe-nos também o exemplo de dois anciãos de olhos postos no futuro, capazes de perceber os sinais de Deus e de testemunhar a presença libertadora de Deus no meio dos homens.

   A segunda Leitura (Colossenses 3,12-21), sublinha a dimensão do amor que deve brotar dos gestos dos que vivem em Cristo e aceitaram ser homem novo. Esse amor deve atingir, de forma muito especial, todos os que conosco partilham o espaço familiar e deve traduzir-se em determinadas atitudes de compreensão, de bondade, de respeito, de partilha, de serviço.

   Portanto, Maria, José e o Menino, com todos os apertos que passaram, testemunham que a família não é uma idealização, mas uma realidade construída com escolhas criativas diante das dificuldades e contradições. Mesmo que hajam os laços consanguíneos incanceláveis, fazer-se família é um esforço diário que exige empenho, renúncia e dedicação.

Que a Sagrada Família nos inspire sempre a disponibilidade de empregarmos nossas melhores forças na construção da grande família humana, marcada pelo respeito, pela justiça, pela generosidade mútua e pela paz.

+Dom Júnior de Jesus