HOMILIA DO XXX DOMINGO DO TEMPO COMUM

HOMILIA DO XXX DOMINGO DO TEMPO COMUM

A Igreja, neste trigésimo Domingo do Tempo Comum, através da liturgia da Palavra, oferece à nossa meditação a lembrança de que a plenitude da Lei é o amor.

A primeira leitura tirada de Êxodo 22, 20-26, mostra-nos Deus advertindo os israelitas para que não tratassem os estrangeiros de maneira injusta, porque eles mesmos haviam sido estrangeiros no Egito. Não é fácil chegar a um novo ambiente quando você se sente sozinho e deslocado. A leitura fala da situação dos estrangeiros, dos órfãos, das viúvas e dos pobres vítimas da especulação. Qualquer injustiça praticada contra um irmão mais pobre é um crime grave contra Deus, que nos afasta da comunhão com Deus e nos coloca fora da Aliança.

Evangelho de Mateus 22, 35-40, os fariseus, que haviam classificado mais 600 leis, frequentemente tentavam distinguir o mais importante do menos importante. Assim, um deles, um doutor da lei pediu que Jesus identificasse a lei mais importante. Jesus citou Dt 6.5 e Lv. 19,18. Ao cumprir esses dois mandamentos, uma pessoa cumpre todos os demais. Eles resumem os dez mandamentos e as outras leis morais do Antigo Testamento.

Jesus disse que se amarmos verdadeiramente a Deus e ao próximo, naturalmente cumpriremos os mandamentos. Isto é considerar a lei de Deus de maneira positiva. Em vez de nos preocuparmos a respeito do que não devemos fazer, devemos nos concentrar em tudo o que podemos fazer para mostrar o amor que temos a Deus e às outras pessoas.

A segunda leitura 1 Tes 1, 5-10, apresenta-nos o exemplo de uma comunidade cristã que, apesar da hostilidade e da perseguição, aprendeu a percorrer, com Cristo e com Paulo, o caminho do amor e do dom da vida; esse percurso, cumprido na alegria e na dor, tornou se semente de fé e de amor, que deu frutos em outras comunidades cristãs. Dessa experiência comum, nasceu uma imensa família de irmãos, unida à volta do Evangelho e espalhada por todo o mundo.

Portanto, é necessário que o povo tenha amplo acesso à Sagrada Escritura, para que encontre a Verdade e cresça no amor autêntico. Este amor que é a plenitude da lei se exprime em dois atos indissociáveis. O primeiro ato é o culto de adoração a Deus: “amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento”. O segundo ato que se expressa nas obras de misericórdia e tem precedência na ordem da prática, é o amor ao próximo: “amarás o teu próximo como a ti mesmo”.

Sim, a plenitude da lei é o amor. E este amor traz ao coração humano uma alegria, compatível com o mistério da cruz. Paulo diz aos Tessalonicenses: “E vós vos tornastes imitadores nossos e do Senhor, acolhendo a Palavra com alegria do Espírito, apesar de tantas tribulações”. Esta alegria exige, portanto, um conhecimento de Jesus Cristo e uma escuta sempre dócil de sua Palavra que dá pleno sentido à vida.

+Dom Júnior de Jesus