Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos

COMEMORAÇÃO DE TODOS OS FIÉIS DEFUNTOS

Hoje nos reunimos para a celebração de todos os fiéis defuntos, expressamos não só nossa dor e saudade, mas acima de tudo, a nossa confiança em Jesus, que nos disse que quem crer nele ressuscitará no último dia. Á luz da fé, a morte é uma passagem que nos conduz para a visão da glória divina.

Neste dia de finados, é bom esclarecer que a Igreja não celebra Missas em homenagem aos defuntos. A missa é sempre celebrada em homenagem e adoração a Deus. Quando é celebrada “pelos falecidos”, a Missa é oferecida a Deus e “em sufrágio” pelos mortos, isto é, pedindo que Deus tenha misericórdia deles, perdoe seus pecados e os acolha na sua companhia no céu.

Isso não impede que se façam homenagens a pessoas falecidas depois da Missa, ou em momento diverso da Missa. O próprio fato de ir ao cemitério em finados também envolve uma forma de homenagem aos falecidos que admiramos, ou que foram importantes em nossa vida. Colocar flores nos túmulos também expressa esse significado. Mas a Missa não é homenagem aos defuntos, como às vezes se fala e escreve, de maneira equivocada.

A primeira Leitura tirada de Jó 19, 1. 23-27. No centro do livro de Jó, surge sua declaração de confiança: “Eu sei que o meu Redentor vive”. Que tremenda fé tinha Jó, especialmente uma vez que ele não estava ciente da conversa entre Deus e Satanás. Jó pensava que Deus enviara todos esses desastres para ele. Diante da morte e decadência, Jó ainda esperava ver a Deus, e esperava fazer isso em seu corpo.

Quando o livro de Jó foi escrito, Israel não tinha uma doutrina da ressurreição bem composta. Embora Jó lutasse com a ideia de que Deus estava contra ele, ainda acreditava, firmemente, que, no final, Deus estaria do lado dele. Sua fé era tão forte, que Jó foi um dos primeiros a falar sobre a ressurreição do corpo. Jó disse: “Ainda em minha carne verei a Deus”. Na situação de Jó, parecia improvável que ele, em seu corpo, visse a Deus. E esse é exatamente o ponto da sua fé. Ele estava confiante de que a justiça de Deus triunfaria, mesmo que fosse necessário um milagre, como a ressurreição, para conseguir isso. Jó sente Deus como seu último e definitivo defensor, como alguém que está vivo e se compromete em favor do homem que morre, porque entre Deus e o homem há uma espécie de parentesco, um vínculo indissolúvel. Jó afirma-o com vigor: os seus olhos contemplarão a Deus com a familiaridade de quem não é estranho à sua vida.

Evangelho de Lucas 12, 35-40. A volta de Cristo em uma ocasião inesperada não é uma cilada, nem um truque com que Deus espera nos flagrar desprevenidos. Na verdade, Deus está postergando seu retorno, para que mais pessoas tenham a oportunidade de segui-lo. Antes da volta de Cristo, temos tempo para viver e exercer nossas crenças, e refletir o amor de Jesus, em nossos relacionamentos com os outros. As pessoas que estão prontas para o retorno do seu Senhor não são hipócritas, mas sinceras; não são temerosas, mas prontas e dispostas a testemunhar; não são preocupadas, mas confiantes; não são avarentas, mas generosas; não são preguiçosas, mas diligentes. Que sua vida possa ser mais parecida com a de Cristo, para que, quando Ele vier, você esteja pronto a saudá-lo alegremente.

Portanto, neste dia de finados recordamos com saudades as pessoas queridas que já nos deixaram e partiram deste mundo. Ao mesmo tempo, podemos agradecer a Deus pela graça que tivemos de conhecer essas pessoas e de conviver com elas. E ofereçamos nossa oração fervorosa pelos falecidos, esperando que, um dia, alguém também reze por nós e ofereça a Santa Missa em Nosso favor.

A oração pelos falecidos faz parte da nossa fé católica. Rezar pelos falecidos é uma obra de misericórdia e a melhor coisa que podemos fazer por eles, pois, dessa forma, nós o recomendamos a Deus, que é “Senhor dos vivos e dos mortos”.

+Dom Júnior de Jesus