HOMILIA DO XXXII DOMINGO DO TEMPO COMUM

O noivo está chegando, ide ao seu encontro”! Eis o grito que as virgens ouvem no trecho do Evangelho que a liturgia hoje nos apresenta. Assim como as virgens do Evangelho de hoje, precisamos estar com as lâmpadas acesas, a fim de que possamos entrar com Ele para a bodas. Por isso, celebremos a Eucaristia, ouçamos a Palavra de Deus, deixemos que ela nos desperte e renove a nossa fé.

   A primeira Leitura tirada de Sabedoria 6, 12-16, fala da sabedoria que está na origem da virtude da prudência: “meditar sobre ela é a perfeição da prudência” (Sab 6, 15). E acrescenta. “E quem não dormir por causa dela depressa estará livre da inquietação”. A sabedoria e a prudência nos tornam vigilantes e nos preparam para acolher a Sabedoria eterna, o Verbo encarnado, o Senhor que virá um dia glorioso para celebrar as núpcias eternas. A vigilância própria de quem é prudente é objeto da oração do salmista: “Ensina-nos a contar assim os nossos dias, para podermos chegar ao coração da sabedoria” (Sl 89, 12).

   O Evangelho de Mateus 25, 1-13, nos mostra uma parábola que fala de um casamento. No dia do casamento, o noivo ia à casa da noiva para a cerimônia; em seguida, a noiva e o noivo, acompanhados por uma grande procissão, voltavam para a casa do noivo, onde a festa era realizada. Muitas vezes esta festa durava uma semana inteira.

   Estas dez virgens estavam esperando para se unirem à procissão, e tinham a expectativa de participar da festa de casamento. Mas o noivo não chegou no tempo esperado, e o azeite da lâmpada de cinco delas acabou. Estas cinco virgens saíram para comprar mais azeite, mas quando voltaram já era tarde demais para participarem da festa.

   Devemos estar prontos para o momento em que Jesus voltará para levar seu povo para o céu. A preparação espiritual não pode ser comprada nem tomada emprestada no último minuto. Nosso relacionamento com Deus deve ser uma relação exclusiva entre Ele e cada um de nós.

   Como Bispo digo a você que está meditando com essa homilia: É necessário estar preparado para a hora da morte. O óleo representa as boas obras e estas não podem ser passadas de uma pessoa para a outra, mesmo que o quisessem. Deixo a seguinte pergunta para sua meditação. Diante da sua história e do que você está vivendo hoje, como essa passagem bíblica pode iluminar a sua vida?

   A Segunda Leitura de primeira Tessalonicenses 4, 13-18, fala que os Tessalonicenses estavam perguntando a si mesmo porque muitos cristãos, dentre seus amigos, morreram, e o que lhes aconteceria quando Cristo voltasse. Paulo queria que os Tessalonicenses entendessem que a morte não é o fim da história. A grande esperança para todos os cristãos está na ressurreição. Como Jesus Cristo voltou à vida, também o farão todos os cristãos, incluído os que morreram. Por isso, não precisamos nos desesperar quando entes queridos morrem, ou quando os eventos do mundo têm uma trágica reviravolta. Deus converterá a tragédia em triunfo, a pobreza em riqueza, a dor em glória, e a derrota em vitória. Da mesma maneira que Paulo consolou os tessalonicenses com a promessa da ressurreição, nós também devemos consolar e tranquilizar os outros com essa grande esperança.

   Portanto, confiantes que estamos próximos de concluirmos o ano litúrgico, nos voltamos para o Senhor e nos deixamos interpelar por sua Palavra. Na plenitude dos tempos, Cristo, pela oferta que fez de sua vida, destruiu o poder do mal. Agora, enquanto aguardamos sua segunda vinda, vemos crescer em nós a esperança de nossa salvação e libertação. Para nós Jesus é o grande noivo que pode chegar a qualquer momento. Não tem hora para chegar, pode ser no início da vida, na juventude, na vida adulta ou na velhice. O que importa é estar preparado para o encontro.

   Como diz nossa profissão de fé: “Espero a ressurreição dos mortos  e a vida do mundo que há de vir”. Por isso, podemos sentir saudades daqueles entes queridos que estão juntos de Deus, mas não devemos ficar tristes. Como Bispo deixo essa frase para você meditar ao longo da semana: Viverei como ressuscitado, reanimando meus irmãos abatidos ou sem esperança.

+Dom Júnior de Jesus