XXXIV DOMINGO DO TEMPO COMUM

SOLENIDADE DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, REI DO UNIVERSO

Coroando todo o ano litúrgico, a Igreja celebra hoje a festa de Jesus Cristo, Rei do Universo. Sua realeza consiste no zelo por todas as criaturas e no serviço radical até a morte na cruz. É na fidelidade a este serviço que iremos nos aproximando do Rei Jesus, até o final dos tempos.

   A Primeira Leitura tirada de Ezequiel 34, 11-12.15-17, mostra que, depois de ter sido governado por reis, visto o reino dividido e caído sob o poder estrangeiro, Israel ansiava por um reino unido e prospero. Ezequiel vê a solução em que Deus os governe como pastor.

   Um Deus pastor? De rei a pastor? Parece absurdo. Não obstante, a mudança tem um sentido profundo. Os reis governam centralizados em si mesmos, com luxo, mandatos e serventes; herdam o poder e o legam aos seus filhos como herança. O pastor governa guiando suas ovelhas com sua voz, protegendo-as, alimentando-as, curando-as e procurando pelas que se perdem; ele usa a liderança de umas para atrair as outras; seu trabalho centra-se nas ovelhas e, se assim não é, o rebanho se enfraquece e se dispersa.

   Ezequiel declara Deus o único rei-pastor e fala de um príncipe que governe sob sua direção. Só assim conseguirão a paz, a unidade e a prosperidade.

   O Evangelho de Mateus 25, 31-46, conclui a etapa do ministério de Jesus com uma impressionante descrição do Juiz final. Será um ato de discernimento sobre nossa conduta na vida, que permitirá distinguir o trigo e o joio, os peixes bons e os peixes maus, o servo fiel e o infiel, as jovens prudentes e as imprudentes e os criados leais e os desleais.

   O mais surpreendente é a medida que se emprega no juízo. Seremos julgaos por nosso amor ou indiferença para com os irmãos mais pequeninos e necessitados de Jesus: os famintos. Os sedentos, os forasteiros, os nus, os enfermos e os encarcerados. A razão é clara: a solidariedade de Jesus com eles é tão forte, que o que fazemos com eles o fazemos a Jesus.

   A exortação das parábolas anteriores sobre a vigilância adquire grande força à luz desse juízo. Estar preparados consiste essencialmente em viver o mandamento do amor.

   Na Segunda Leitura 1 Coríntios 15, 20-26.28, Paulo diz que Cristo é o “Novo Adão”. Depois contrasta como o “primeiro Adão” foi um ser vivo, animado, porque recebeu a vida de Deus; por sua vez, Cristo, o Novo Adão, ao ser Deus, é um espirito vivificante que dá a vida que possui em si mesmo a toda pessoa que vive unida a ele.

   Com seu imenso poder, Deus dará definitivamente a nossos corpos a vida incorruptível unindo-os a nossas almas, por virtude da ressurreição de Jesus. O como acontecerá isso ultrapassa nossa imaginação e nosso entendimento, mas o podemos captar na fé. De fato, na Eucaristia vivemos já uma antecipação da ressurreição, pois ao participar do Corpo de Cristo adquirimos a esperança da ressurreição.

Nossa fé na ressurreição, em que alcançaremos o estado glorioso que nos permitirá gozar plenamente da beleza e do amor de Deus, mantém viva nossa esperança e dá sentido à morte corporal. Agradeço a Deus essa fé e peça-lhe que a mantenha sempre viva em você.

Portanto, a sua realeza não consiste em honrarias e de aparências, mas precisamente na justiça, paz e alegria no Espírito Santo. Esta realeza, vêmo-la descrita na parábola do Juiz Final. O critério para decidir sobre a nossa participação na vida eterna é precisamente este: “O que fizestes a um dos menores de meus irmãos, foi a mim que o fizestes”. A questão é esta: o egoísmo, o fechamento em si próprio, a indiferença para com o irmão que sofre, não tem lugar no Reino de Deus. Quem insistir em conduzir a sua vida por esses critérios ficará à margem do Reino.

+Dom Junior de Jesus