HOMILIA DO XXVI DOMINGO DO TEMPO COMUM

HOMILIA DO XXVI DOMINGO DO TEMPO COMUM 

Hoje, a Palavra de Deus nos recorda que não basta conhecer tudo que foi dito sobre Jesus Cristo. É preciso colocar nosso conhecimento em prática. Neste último Domingo de Setembro também celebramos o dia da Bíblia, rezando para que, através da animação bíblica de toda a pastoral, a Palavra de Deus chegue a todos os corações, especialmente aos que não a conhecem.

A primeira Leitura tirada de Ezequiel 18, 25-28, mostra-nos que uma resposta tipicamente infantil a uma punição é: “isso é injusto!” Na verdade, Deus é justo, mas nós infringimos as regras. Não é Deus que deve viver segundo nossas ideias de justiça, mas nós devemos viver segundo a sua. Irmãos e irmãs que estão lendo essa homilia, como Bispo digo a você, não perca tempo procurando erros na lei de Deus. Em vez disso, viva segundo os padrões de Deus. Ou seja, cada cristão deve tomar consciência das consequências do seu compromisso com Deus e viver, com coerência, as implicações práticas da sua aceitação a Palavra de Deus e sua Aliança.

O Evangelho de Mateus 21, 28-32, o filho que disse que obedeceria, e então não o fez, representava muitas das pessoas de Israel, nos tempos de Jesus, particularmente os líderes religiosos. Eles diziam que desejavam fazer a vontade de Deus, mas constantemente desobedeciam. Eles eram falsos, e superficiais. É perigoso fingir obedecer a Deus, quando nosso coração está longe dele, porque Deus conhece nossas verdadeiras intenções. O verdadeiro cristão não é aquele que dá boa impressão, que finge respeitar as regras e que tem um comportamento irrepreensível do ponto de vista social, mas é aquele que cumpre a vontade de Deus.

A parábola dos dois filhos chamados para trabalhar na vinha do pai sugere que, na perspectiva de Deus, todos os seus filhos são iguais e têm a mesma responsabilidade na construção do Reino. Deus tem um projeto para o mundo e quer ver todos os seus filhos, sem distinção de raça, de cor, de formação intelectual, implicados na concretização desse projeto.

A segunda Leitura tirada de Filipenses 2, 1-11, Paulo enfatiza a unidade espiritual, pedindo que os filipenses amassem uns aos outros e tivessem um só espírito e um só propósito. Quando trabalhamos juntos, prestando assistência aos problemas dos outros, como esses problemas fossem nossos, demostramos o exemplo de Cristo de colocar as outras pessoas em primeiro lugar e assim vivenciamos a unidade.

Jesus Cristo foi humilde, estando disposto a abrir mão de seus direitos a fim de obedecer a Deus Pai e servir as pessoas. Como Cristo, devemos ter a atitude de servos, servindo a partir do amor a Deus e aos outros, e não por culpa ou medo. Como Bispo Eleito da Igreja Vetero Católica Fidelitas, deixo um lembrete para você que está meditando com essa homilia, você pode escolher sua postura. Você pode abordar a vida esperando ser servido, ou você pode procurar oportunidades para servir ao próximo.

Portanto, hoje o Senhor nos envia a trabalhar na sua vinha. Somos os filhos que diz sim ou o que diz não? Para Jesus não existe pessoa anônima. Ele conhece cada um de nós pelo nome. Ao ouvirmos a sua voz devemos escutar o seu chamamento e segui-lo sem indecisão, conforme as promessas feitas quando fomos batizados.

Enfim, neste último Domingo de Setembro, queremos lembrar que a Palavra de Deus é dinâmica, sutil, ágil (Sab. 7 e 8). Ela é a fonte da vida, do poder da criação, da fecundação. Ela não volta para Deus, sem produzir seu efeito dinâmico e necessário (Is. 55, 10). Ela é a transparência da sabedoria, da substância de Deus. Na Sagrada Escritura, a Palavra de Deus mesmo sendo um elemento de conhecimento, é um elemento de poder divino, com o qual Deus cria, renova, transforma. E é pela Palavra que Deus santifica as criaturas.

+Dom Júnior de Jesus