20º DOMINGO DO TEMPO COMUM

 SOLENIDADE – ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA

   A liturgia de hoje celebra a Virgem Maria elevada ao céu em corpo e alma. Com Maria, celebramos também nossa esperança no grande encontro com o Senhor, um encontro que já começa nessa vida, mas que se completa na eternidade.

   A primeira leitura (Apocalipse 11,19; 12, 1.3-6.10), mostra-nos a visão do capitulo 12 que simboliza a grande batalha entre Cristo e Satanás. Essa batalha começa no céu. A mulher gravida representa Israel, de onde vem o Messias, e o dragão que espera devorar seu filho é figura de Satanás (Ap 12,9). O filho é Jesus Cristo, cuja vocação é governar todas as nações. Satanás fracassa em sua tentativa e é expulso do céu.

   O conflito se transfere para a terra. O dragão continua perseguindo a mulher, que agora representa a Igreja e a quem Deus protege e alimenta com o simbólico do maná. O dragão insiste e persegue seus outros filhos, os cristãos que dão testemunho de Jesus.

   O catolicismo vê na mulher vestida de sol Maria e a Igreja, pois ambas compartilham a missão messiânica de Jesus. Lemos esta passagem no dia de hoje (dia da Assunção), para celebrar a entrada de Maria no céu como a primeira discípula de Jesus. Maria representa a Igreja já vitoriosa que aguarda no céu e intercede por nós.

   O Evangelho (Lucas 1,39-56), mostra-nos quando Maria foi com pressa às montanhas da Judeia para ajudar sua prima Isabel, levava Jesus em suas entranhas. Ao vê-la, Isabel percebeu a benção de Deus e exclamou em alta voz: Bendita és tu entre as mulheres, e bendito é o fruto do teu ventre (Lc 1,42).

   Maria respondeu à saudação de sua prima Isabel com um cântico a Deus conhecido como o Magnificat. Através dele agradece a obra de Deus nela, canta a libertação dos humildes, dos pobres e dos famintos; afirma que os poderosos são derrubados e proclama a salvação trazida para todos, segundo estava prometido a Abraão.

   A segundo leitura (1 Coríntios 15,20-27), é uma passagem escolhida para a festa da Assunção, o apostolo apresenta uma espécie de genealogia da ressurreição e uma ordem de prioridade na participação neste grande mistério. O primeiro é Jesus, que é o princípio de uma nova humanidade. Eis porque o apostolo o designa como um novo Adão, mas que se distingue absolutamente do primeiro Adão; este tinha levado a humanidade à morte, ao passo que o novo Adão conduz a vida.

   O apostolo não evoca Maria, mas se proclamamos esta leitura na Assunção, porque reconhecemos o lugar eminente da Mãe de Deus no grande movimento da ressurreição.

   Portanto, o cântico de Maria descreve o programa que Deus tinha começado a realizar desde o começo, que ele prosseguiu em Maria e que cumpre agora na Igreja, para todos os tempos.

   Pela visitação que teve lugar na Judeia, Maria levava Jesus pelos caminhos da terra. Pela Dormição e Assunção, é Jesus que leva a sua mãe pelos caminhos celestes, para o templo eterno, para uma visitação definitiva. Nesta Festa, com Maria, proclamamos a obra grandiosa de Deus, que chama a humanidade a se juntar a ele pelo caminho da ressurreição. Como Bispo Eleito da Igreja Vetero Católica Fidelitas, convido a você que leu essa homilia a fazer a seguinte oração:

   “Senhor, concede-me seu espirito de discernimento para optar sempre por você, mesmo nos enganos do Maligno. E você, minha Mãe, interceda por mim e acompanhe-me à medida que progrido em minha vida espiritual”. Amém.

+Dom Junior de Jesus (Bispo Eleito)