ATOS CONTRA A CAMPANHA DA FRATERNIDADE NAS REDES SOCIAIS.

Grupos católicos fazem atos contra Campanha da Fraternidade nas redes sociais

São contra pautas consideradas progressistas. Tema do evento é “Fraternidade e Diálogo”. Campanha começa na 4ª feira (17.fev).

Grupos católicos têm usado as redes sociais para se manifestar contra a realização da Campanha da Fraternidade 2021, cujo mote é “Fraternidade e diálogo: compromisso de amor“. Com temas pautados pela pastora luterana e ativista que atua em prol da legalização do aborto Romi Bencke, o texto-base do evento surpreendeu pela defesa explícita da população LGBTQI.

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 O documento cita dados do Atlas da Violência 2020 (íntegra) do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). O levantamento mostra que foram registrados no ano passado 1.685 casos de violência contra pessoas desse grupo demográfico.

“Estes homicídios são efeitos do discurso de ódio, do fundamentalismo religioso, de vozes contra o reconhecimento dos direitos das populações LGBTQI+ e de outros grupos perseguidos e vulneráveis”, diz o texto-base.

   Em nota, a presidência da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) declarou que o documento do evento deste ano foi baseado nas doutrinas do Conic (Conselho Nacional de Igrejas Cristãs). Leia a íntegra do comunicado.

   “Se a campanha é católica, por que temos de abrir nossa consciência, corações e bolsos para a infiltração dogmática anticatólica?“, questionou o grupo Apostolado Filhos de Santo Atanásio.

   Participaram da concepção da Campanha da Fraternidade 2021 oito movimentos cristãos brasileiros: Igreja Católica Apostólica Romana, por meio da CNBB; Aliança de Batistas no Brasil; Igreja Episcopal Anglicana; Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil; Presbiteriana Unida; Sirian Ortodoxa de Antioquia; Igreja Betesda; e o organismo ecumênico Ceseep.

   O grupo Templário de Maria afirma que a CNBB usou o período quaresmal para tratar de assuntos contrários à fé católica. Critica o aceno a pessoas LGBTQ, às religiões de matrizes africanas e a Marielle Franco, vereadora pelo Psol do Rio de Janeiro morta a tiros em 2018.

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Outro alvo da desaprovação do Templários de Maria: a defesa ao lockdown feita pela CNBB em seu texto-base. “É um texto que acusa de serem sem caridade e sem consciência os fiéis que não concordaram com o lockdown nas igrejas que deixa milhares de brasileiros sem acesso aos sacramentos“, disse a organização.

   Pesquisa PoderData realizada em outubro de 2020 mostrou que 45% dos brasileiros que seguem alguma religião ou acreditam num ser superior acompanham cultos pela TV ou internet por causa da pandemia de coronavírus. Outros 30% praticam suas religiões em casa. Os que iam a igrejas ou templos eram 14%.

   “[A CNBB] critica o que chama de ‘lobby religioso’ por pedir às autoridades que as celebrações litúrgicas fossem incluídas entre as atividades essenciais [durante a quarentena, em 2020]. Mas promove o lobby que exige ‘o reconhecimento dos direitos das populações LGBTQI+ e de outros grupos perseguidos e vulneráveis’. Acusa aqueles que se opõem à agenda desse lobby de serem responsáveis pelos homicídios a pessoas homo e transexuais“, diz o manifesto do Templário de Maria. Leia a íntegra.

   Em carta ao presidente da CNBB, o arcebispo do Ordinariado Militar do Brasil, Dom Fernando Guimarães, afirmou que o serviço de assistência religiosa das Forças Armadas é ecumênico por natureza, pois precisa lidar com integrantes de diversos segmentos religiosos. Contudo, declarou que o diálogo inter-religioso precisa ser feito em sedes competentes. Disse ainda que o período da quaresma não é para se dialogar sobre temas polêmicos e contrários à doutrina católica. Leia a íntegra.

   A pastora luterana Romi Bencke recebeu carta de solidariedade de diversos movimentos sociais, conforme noticiado pela revista Carta Capital, na 2ª feira (9.fev). Entre os grupos estão a Aliança LGBT de Minas Gerais e as Católicas pelo Direito de Decidir. Leia a reportagem.

BOLSONARO INSPIROU O TEMA

   O tema “Fraternidade e diálogo: compromisso de amor” foi definido “sobretudo pelo que ocorreu no Brasil depois do surgimento do governo Bolsonaro, quando a sociedade ficou muito dividida“, afirmou à DW Brasil o padre Antonio Carlos Frizzo, assessor eclesiástico da Pastoral de Fé e Política e um dos secretários da CNBB responsáveis pela campanha. Leia a entrevista.

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  Segundo ele, o Conic se encontrou com a CNBB e definiu o tema “diálogo” por causa da “divisão” observada na sociedade depois da eleição do atual presidente, em 2018.

   “Lulistas e bolsonaristas, esquerda e direita… E uma forte onda negacionista dizendo que não existe pobre, que foram as esquerdas que levaram o país à ruína… Ficou muito dividida a sociedade. E a Igreja também. Este tema é para tentar buscar superar essa divisão por meio do diálogo“, disse Frizzo.

   “No Brasil, desde a ascensão do Bolsonaro, as fake news, as mentiras que parecem verdade, pululam nas redes sociais. Desta vez é um grupo chamado [Centro] Dom Bosco, que fez um vídeo falando mal da campanha, de maneira muito mentirosa e violenta”, afirmou o padre.

   O Centro Dom Bosco é uma organização católica sediada no Rio de Janeiro, conhecida por costumes ultraconservadores. “A Campanha da Fraternidade é conduzida por protestantes revolucionários com o objetivo explícito de introduzir ideias anticatólicas em nossas dioceses“, diz a organização.

   A CNBB informou que o dinheiro arrecadado pelo Fundo Nacional de Solidariedade, por meio da Campanha da Fraternidade, distribuiu R$ 3,8 milhões em 2019 para apoiar 218 projetos que impactaram 200 mil pessoas em situação de vulnerabilidade socioeconômica.

   Com início na 4ª Feira de Cinzas (17.fev), a tradicional Campanha da Fraternidade será ecumênica neste ano, com a união das igrejas cristãs. As ações vão até 28 de março, no Domingo de Ramos, que é o dia oficial de coleta de doações para a iniciativa.

 

 

Fonte: Poder 360