IV DOMINGO DO TEMPO COMUM

   Reunidos ao redor do altar do Senhor, somos hoje convidados a rever, mais uma vez, nossa relação com Ele, que nos ama infinitamente e nos pede amor e fidelidade. Ter fé não significa apenas saber tudo sobre Jesus, mas colocá-lo de tal modo em nossas vidas, que Ele seja o centro de nossas preocupações. Que o nosso coração nunca se feche ao Senhor nem se iluda achando que já está plenamente junto d’Ele.

   A primeira Leitura (Deuteronômio 18,15-20), propõe-nos, a partir da figura de Moises, uma reflexão sobre a experiência profética. O profeta é alguém que Deus escolhe, que Deus chama e que Deus envia para ser a sua voz no meio doa homens. Através dos profetas, Deus vem ao encontro dos homens e apresenta-lhes, de forma bem perceptível, as suas propostas.

   O Evangelho (Marcos 1,21-28), mostra como Jesus, o Filho de Deus, cumprindo o projeto libertador do Pai, pela sua Palavra e pela sua ação, renova e transforma em homens livres todos aqueles que vivem prisioneiros do egoísmo, do pecado e da morte.

   Agora, encontramos o confronto de Jesus com o espírito impuro. A primeira luta de Jesus, no Evangelho de São Marcos, não é contra os seus habituais adversários, mas contra o espírito do mal, aquele espírito que aliena o ser humano. Estava na sinagoga um homem possuído por um espírito impuro. No mundo judaico era opinião comum que o demônio podia tomar posse de uma pessoa. Também certas doenças psíquicas eram, nesta época, tidas como possessão diabólica. O demônio sabe quem é Jesus: “tu és o santo de Deus”. No Evangelho de São Marcos a luta de Jesus contra os espíritos impuros é constante, pois é uma das formas de mostrar a sua messianidade. Jesus não dialogo com espírito impuro, manda com autoridade: “Cala-te e sai dele”. diz o texto bíblico que o espírito mau sacudiu o homem com violência, deu um grande grito e saiu” (Mc 1, 26). Jesus liberta esse homem. O ser humano não foi feito para ser aprisionado pelo mau, mas foi criado para viver livre como filhos (as) amados de Deus. De novo, a atitude das pessoas é de espanto. Jesus fala com autoridade e age com autoridade. Ele manda até nos espíritos maus e eles obedecem.

   A segunda Leitura (1 Coríntios 7,32-35), convida os crentes repensarem as suas prioridades e a não deixarem que as realidades transitórias sejam impeditivas de verdadeiro compromisso com o serviço de Deus e dos irmãos.

   Paulo está convicto de que as realidades terrenas são passageiras e efêmeras e não devem, em nenhum caso, ser absolutizadas. Não se trata de propor uma evasão do mundo e um espiritualidade desencarnada, insensível, alheia ao amor, à partilha, à ternura; mas trata-se de avisar que as realidades deste terra não podem ser objetivo final e único da vida do homem. Esta reflexão convida-nos a repensarmos as nossas prioridades, e não ancorarmos a nossa vida em realidades transitórias.

   Portanto, como Jesus, as religiões são chamadas a apresentar ao mundo a Palavra de Deus e o anuncio de seu reino. Como confirmação dessa mensagem, deve também demonstrar, em sinais e obras, que o poder de Deus supera o mal: no empenho pela justiça e no alivio do sofrimento, no saneamento da sociedade e na cura do meio ambiente adoentado. Palavra e sinal, eis a missão profética das religiões hoje.

+Dom Júnior de Jesus