III DOMINGO DO TEMPO COMUM

 Domingo passado, a liturgia nos recordava que o amor de Deus a todos se dirige, vocacionando a fazer da vida uma continua doação. Hoje a liturgia nos adverte que a resposta a este chamado de Deus deve imediata, pois o tempo de Deus é agora. Tal lembrança faz parte essencial do anúncio da Boa Nova e está presente ao longo de toda a história da salvação. O importante é buscar sempre a vontade de Deus para a ela corresponder.

  A Primeira Leitura (Jonas 3, 1-5.10), colocou diante de nós a pregação de Jonas. Jonas deve dirigir-se à grande cidade de Nínive. Ela é a cidade pagã. O centro da pregação do profeta é “ainda quarenta dias e Nínive será destruída” (Jonas 3,4). Os ninivitas acreditam em Deus, fazem penitência e Deus salva a cidade. O livro de Jonas nos mostra que o amor de Deus não é exclusivo de Israel, mas aberto a todo homem e mulher que voltam para Ele com o coração sincero, arrependendo-se de sua maldade, de seu pecado. Deus é paciente e espera do homem a conversão, a mudança de vida, de atitude. Os “quarenta dias” significam o tempo da paciência de Deus. Nínive, hoje, representa a grande cidade moderna na sua grande complexidade e que deve ser objeto da nossa evangelização, da nossa missão, onde o anuncio do amor de Deus deve encontrar cada ser humano.

   No Evangelho (Mc 1, 14-20), aparece o convite que Jesus faz a todos os homens para se tornarem seus discípulos e para integrarem a sua comunidade. Marcos avisa, contudo, que a entrada para a comunidade do Reino pressupõe um caminho de conversão e de adesão a Jesus e ao Evangelho.

   O chamamento a integrar a comunidade do Reino não é algo reservado a um grupo especial de pessoas, com uma missão especial no mundo e na igreja; mas é algo que Deus dirige a cada homem e a cada mulher, sem exceção. Todos os batizados são chamados a ser discípulos de Jesus, a converter-se, a “acreditar no Evangelho”, a seguir Jesus nesse caminho de amor e de dom da vida. Esse chamamento é radical e incondicional: exige que o Reino se torne o valor fundamental, a prioridade, o principal objetivo do discípulo.

   A segunda Leitura ( 1 Coríntios 7, 29-31), convida o cristão a ter consciência de que o “tempo breve”, isto é, que as realidades e valores deste mundo são passageiros e não devem ser absolutizados. Deus convida cada cristão, em marcha pela história, a viver de olhos postos no mundo futuro, quer dizer, a dar prioridade aos valores eternos, a converter-se aos valores do “Reino”.

   Seguir Jesus é a grande riqueza da nossa vida. Os ninivitas e os quatro primeiros discípulos de Jesus são exemplos de escuta obediente do anuncio da salvação. Ontem foram eles, hoje, somos nós. Que a escuta do Senhor, que continua nos falando hoje, molde o nosso coração de discípulos missionários.

+Dom Júnior de Jesus