SELENIDADE – EPIFANIA DO SENHOR

A Misericórdia vem para todos 

    Celebramos hoje a manifestação de Jesus Cristo como Salvador Universal. Representados pelos Magos do Oriente estão todos os seres humanos, na diversidade das raças e dos povos. O Menino da gruta de Belém estende seus braços e a todos manifesta sua misericórdia. Esta é a grande luz que deve brilhar sobre toda a humanidade.

  O texto que nos é proposto na primeira leitura (Is 60,1-6) é uma glorificação de Jerusalém, a cidade da luz (pela sua situação geográfica, a cidade é iluminada desde o nascer do dia até ao pôr do sol). Ainda há pouco tempo a cidade estava vazia e em ruínas, num quadro de noite e escuridão; agora, já terminou a humilhação, mas a cidade espera ainda a restauração do Templo, uma população mais numerosa e uma tranquilidade maior.

    Será que na nossa Igreja há espaço para todos aqueles que buscam a luz libertadora de Deus? As diferenças, próprias da diversidade de culturas, são vistas como uma riqueza que importa preservar, ou como uma ameaça à uniformidade?

   No Evangelho ( Mt 2,1-12), vemos a concretização dessa promessa: ao encontro de Jesus vêm os “Magos”, atentos aos sinais da chegada do Messias, que O aceitam como “salvação de Deus” e O adoram. A salvação, rejeitada pelos habitantes de Jerusalém, torna-se agora uma oferta universal.

   Ele vieram de longe, de muito longe. Traziam interrogações na garganta, perguntas no coração e buscavam a casa do rei dos judeus.  Esses misteriosos magos são também convidados a ver o que Deus havia feito.  Antes haviam chegado os pastores convidados pelos mensageiros e agora  são esses homens  portadores de questões e interrogações.

   São pessoas que se informam.  Perguntam às autoridades.  Sabem que, pelas Escrituras,  esse príncipe deveria nascer em Belém… Guiados pela luz de Deus, pela fé, pela estrela chegam até seu destino. A estrela que havia desaparecido, torna a brilhar… Ao verem a estrela, ao encontrarem a luz da fé,  os magos  “sentiram uma alegria muito grande”. Viram a cena: o menino com Maria, sua mãe.  Delicadamente dobram os joelhos e adoram o Senhor.  Abrem seus presentes: ouro, incenso e mirra.

   A segunda leitura (Ef 3,2-3a.5-6), mostra-nos que judeus e gentios são membros de um mesmo e único “corpo” (o “corpo de Cristo” ou “Igreja”), partilham o mesmo projeto salvador que os faz, em igualdade de circunstâncias, “filhos de Deus” e todos participam da promessa feita por Deus a Abraão (cf. Gn 12,3) – promessa cuja realização Cristo levou a cabo.

  Portanto, a festa de hoje, que popularmente chamamos de “dia de Reis”, é chamada pela liturgia de “Epifania” do Senhor. Epifania é uma palavra grega e significa Manifestação da Divindade, e que passou para a liturgia latina por influxo da Igreja Oriental. A manifestação da salvação de Deus em Jesus Cristo é, portanto, a ideia central que hoje celebramos. Por isso, a festa de hoje é a grande convocação que Deus faz, a fim de que todas as nações e raças encontrem forças para tornar humano e fraterno o nosso mundo. Essa é, no fundo, a expectativa de Deus que transparece em toda a Bíblia. A Igreja é chamada a difundir a Boa Nova e suscitar a fé, que gera a obediência ao amor de Deus. Que neste Ano dedicado a São José nos deixemos plasmar pelo dom de crer e professemos com entusiasmo o que cremos, para que nosso testemunho seja verdadeiro. Deus hoje revela seu Filho às nações, guiando-as pela estrela e concede a todos nós, seus servos e servas que já o conhece pela fé, a certeza de um dia poder contemplá-lo face a face no céu, junto a Jesus Cristo. Esta Unidade nos permite sentir aqui na terra, um pouco da felicidade que teremos junto ao Pai, na casa que Ele preparou para nós.

+Dom Júnior de Jesus (Bispo Eleito)

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