II DOMINGO DO TEMPO COMUM

   A liturgia de hoje inicia as celebrações do Tempo Comum e nos recorda que a vida é, acima de tudo, uma grande e profunda resposta ao amor de Deus, um amor que sempre toma a iniciativa e que pede de nós uma resposta radical. A história da salvação está repleta de pessoas que, repletas de esperança, responderam sim a este chamado. O amor de Deus e a resposta de tantos que nos precederam são um convite a que também nós respondamos do mesmo modo.

   Na Primeira Leitura 1Sm 3,3-10,19, Deus chama Samuel. Num contexto de crise civil e religiosa a palavra de Deus é dirigida a Samuel. É Deus que chama e desperta Samuel do sono. Quatro vezes se repete o verbo chamar. A iniciativa é sempre de Deus. Mas Samuel é jovem, não possui as condições para responder ao chamado de Deus, pois ainda não conhecia o Senhor. Ele precisa do auxílio de Eli, que compreende que é o Senhor que o chama. Eli lhe dirá: se alguém te chamar, responderás: “fala Senhor, que teu servo escuta”. O Chamado de Deus supõe sempre a capacidade de escuta. Supõe sempre um coração livre e disponível capaz de escutar, discernir e acolher. Vive-se hoje, numa sociedade onde se tem medo do silencio, do parar para escutar a voz de Deus que continua a nos falar no mais profundo de nós, na nossa consciência. Agora, Samuel poderá responder à voz de Deus que interpela, que o chama e lhe dá a missão.

   O Evangelho (João 1,35-42), descreve o encontro de Jesus com os primeiros discípulos. Quem é discípulo de Jesus? Quem pode integrar na comunidade de Jesus? Na visão de João, o discípulo é aquele que é capaz de reconhecer no Cristo que passa o Messias libertador, que está disponível para seguir Jesus no caminho do amor e da entrega, que aceita o convite de Jesus para entrar na sua casa e para viver em comunhão com Ele, que é capaz de testemunhar Jesus e de anuncia-lo aos outros irmãos.

   João Batista nunca procurou apontar os holofotes para a sua própria pessoa e criar um grupo de adeptos ou seguidores que satisfizessem a sua vaidade ou a sua ânsia de protagonismo. A sua preocupação foi apenas preparar o coração dos seus concidadãos para acolher Jesus. Depois, retirou-se discretamente para a sombra, deixando que os projetos de Deus seguissem o seu curso. Ele ensina-nos a nunca nos tornarmos protagonistas ou a atrair sobre nós as atenções; ele ensina-nos a sermos testemunhas de Jesus, não de nós próprios.

   Na segunda Leitura (1 Cor 6,13-15.17-20), Paulo convida os cristãos de Corinto a viverem de forma coerente com o chamamento que Deus lhe fez. No cristão que vive em comunhão com Cristo deve manifestar-se sempre a vida nova de Deus.

   É importante, para os crentes, ter consciência de que liberdade não é um valor absoluto. A liberdade cristã não pode traduzir-se em comportamentos e opções que subvertam os valores do Evangelho e que neguem a nossa opção fundamental por Cristo. Uma certa mentalidade atual considera que só nos realizaremos plenamente se pudermos fazer tudo o que quisermos. Contudo, o cristão tem de ter consciência de que “nem tudo lhe convém”. Aliás, certas opções contrárias aos evangelho não conduzem á liberdade, mas à dependência e a escravidão.

Portanto, Jesus olhou para Simão e lhe deu a missão. Ele deverá ser chamado Cefas. Trocar o nome quer dizer dar uma nova missão. Simão será aquele que confirmará os irmãos na fé. Que a Palavra de Deus deste Domingo nos ajude a tomarmos consciência de que a nossa vida cristã é um caminho de discípulos missionários de Jesus Cristo.

+Dom Junior de Jesus