SAGRADA FAMÍLIA: JESUS, MARIA E JOSÉ

Família: Escola de Misericórdia!

  A Misericórdia de Deus veio ficar entre nós e o fez no coração de uma família, a Sagrada Família de Nazaré. Por isso, o Natal é uma festa da família. Peçamos hoje por todas as nossas famílias e pela humanidade inteira, para que, num tempo em que para muitos, a família perdeu o seu valor, redescubramos em Deus a fonte da unidade familiar.

   A primeira leitura (Eclesiástico 3,3-7.14-17) apresenta uma série de indicações práticas que os filhos devem ter em conta nas relações com os pais.
    Uma palavra sobressai: o verbo “honrar”. Ele leva-nos ao decálogo do Sinai (cf. Ex 20,12), onde aparece no sentido de “dar glória”. “Dar glória” a uma pessoa é dar-lhe toda a sua importância; “dar glória aos pais” é, assim, reconhecer a sua importância como instrumentos de Deus, fonte de vida.
    Ora, reconhecer que os pais são a fonte, através da qual Deus nos dá a vida, deve conduzir à gratidão; e essa gratidão tem consequências a nível prático. Implica ampará-los na sua velhice e não os desprezar nem abandonar; implica assisti-los materialmente – sem inventar qualquer desculpa – quando já não podem trabalhar (cf. Mc 7,10-11); implica não fazer nada que os desgoste; implica escutá-los, ter em conta as suas orientações e conselhos; implica ser indulgente para com as limitações que a idade traz.
Dado o contexto da época em que Ben-Sira escreve, é natural que, por detrás destas indicações aos filhos, esteja também a preocupação com o manter bem vivos os valores tradicionais, esses valores que os mais antigos preservam e que passam aos jovens.
Como recompensa desta atitude de “honrar” os pais, Jesus Ben-Sira promete o perdão dos pecados, a alegria, a vida longa e a atenção de Deus.

   O Evangelho de (Lucas 2,41-52) mostra-nos nas palavras pronunciadas por Jesus quando, finalmente, se encontra com Maria e José: “porque me procuráveis? Não sabíeis que Eu devia estar na casa de meu Pai?”
   O significado da resposta à pergunta de Maria é que Deus é o verdadeiro Pai de Jesus. Daqui deduz-se que as exigências de Deus são, para Jesus, a prioridade fundamental, que ultrapassa qualquer outra exigência. A sua missão – a missão que o Pai Lhe confia – vai obrigá-l’O a romper os laços com a própria família (cf. Mc 3,31-35).
   Lucas apresenta aqui a chave para entender toda a vida de Jesus: Ele veio ao mundo por mandato de Deus Pai e com um projecto de salvação/libertação. Àqueles que se perguntam porque deve o Messias percorrer determinado caminho, Lucas responde: porque é a vontade do Pai. Foi para cumprir a vontade do Pai que Jesus veio ao nosso encontro e entrou na nossa história.
   A segunda leitura tirada de (colossenses 3,12-21), mostra-nos que viver como “homem novo” implica cultivar um conjunto de virtudes que resultam da união do cristão com Cristo: misericórdia, bondade, humildade, paciência, mansidão. Lugar especial ocupa o perdão das ofensas do próximo, a exemplo do que Cristo sempre fez. Estas virtudes são exigências e manifestações da caridade, que é o mais fundamental dos mandamentos cristãos. Catálogos de virtudes como este apareciam também na ética dos gregos; o que é novo aqui é a fundamentação: tais exigências resultam da íntima relação do cristão com Cristo; viver “em Cristo” implica viver, como Ele, no amor total, no serviço, na disponibilidade e no dom da vida.

   Portanto, sem dúvida, a família de Nazaré pode ser um modelo para as famílias de nossos dias. Maria e José aprendiam com Jesus a serem pais, a perceberem o Espírito de Deus agindo nele. Por outro, Jesus aprendia com os pais a obedecer e ser um filho responsável. A Sagrada Família preparou Jesus para descobrir um grande segredo: que ele devia estar na casa do Pai Celeste.

+Dom Júnior de Jesus (Bispo Eleito)