BATISMO DO SENHOR

   Somos hoje acolhidos na casa do Senhor para encontra-lo adulto, sendo batizado no rio Jordão, por João Batista. Ao recordarmos o Batismo do Senhor, recordamos e celebramos também o nosso próprio Batismo, louvando e bendizendo pela graça de sermos batizados.

   A primeira Leitura (Isaias 42,1-4.6-7), anuncia um misterioso Servo, escolhido por Deus e enviado aos homens para instaurar um mundo de justiça e de paz sem fim. Investido do Espírito de Deus, ele concretizará essa missão com humildade e simplicidade, sem recorrer ao poder, à imposição, à prepotência, pois esses esquemas não são os de Deus.

   No Evangelho (Marcos 1,7-11), aparece-nos a concretização da promessa profética: Jesus é o Filho, “Servo” enviado pelo Pai, sobre quem repousa o Espírito e cuja missão é realizar a libertação dos homens.

   O batismo de João era para a conversão e para o perdão dos pecados. O Batismo de Jesus é manifestação da Trindade e revelação de quem é este que está sendo batizado por João e para que veio até nós. Ele é o Filho de Deus encarnado e veio a este nosso mundo com a missão que lhe foi dada pelo Pai. A partir de então, Jesus é levado pelo Espírito para que chegue a todos a Boa Notícia da parte do Pai.

   O batismo, que significa “lavar”, continua sendo feito com água. As águas do Jordão são sempre água; agora, porém, santificadas e consagradas pelo corpo vivo de Jesus. Jesus entra nas aguas e as santifica. Podemos, então, falar do nosso batismo em Cristo, em nome da Santíssima Trindade. Somos mergulhados nas águas, mesmo quando a água é jogada apenas em nossa cabeça. Mergulhados nas águas, morremos e ressuscitamos imediatamente. No fundo da água fica a velha criatura, e das águas sai viva a nova criatura, sem pecado e cheia do Espírito Santo.

   Este é o momento da nossa morte. Daqui pra frente não morremos mais. Um dia vamos adormecer no Senhor e, ao despertarmos, veremos a Deus. “Nós mesmo o veremos, nossos olhos o contemplarão, e não os olhos de outros”, como lemos no Livro de Jó. Joao Batista, que batizava com água dizia, que depois dele viria aquele que iria batizar no Espírito Santo.

    Na segunda Leitura (At 10, 34-38), São Pedro expõe com solenidade uma das maiores máximas da proposta cristã: “Estou compreendendo que Deus não faz distinção entre as pessoas”. Neste contexto de corrida pela vacina e pelos recursos em vista da cura, é verdadeiramente confortante para toda pessoa quando ela se sente incluída na rede de cuidado e proteção formada pela inteligência humana e pelo esforço empenhados de muitos. Todo gesto em vista do acolhimento e da cura das pessoas é verdadeira ação de Deus entre seus filhos e filhas. O critério da universalidade deve estar fortemente presente em cada passo de enfrentamento desta pandemia. Atendimento para todos, vacina para todos e, por outro lado, consciência, respeito e adesão às normas sanitárias por parte de todos. Responsabilidade e compromisso são fundamentais.

   Portanto, virá o Espírito, e haverá o início da nova criação. O batismo de Jesus é o início de todo o caminho que terá o seu cumprimento na Páscoa.

   Que a celebração do Batismo do Senhor nos conscientize de que, com o nosso batismo, também nós nos tornamos filhos adotivos de Deus, e nos ajude a viver do amor do Pai. No filho Jesus Cristo, também nós somos filhos amados do Pai. Demos graças a Deus por este grande mistério, que é fonte de regeneração para a Igreja e para o mundo. Deus fez-se filho do homem, para que o homem se torne filho de Deus. Por isso, renovemos a alegria de sermos filhos: como homens e como cristãos. Nascidos do amor de um pai e de uma mãe, renascidos do amor de Deus, mediante o batismo. À Virgem Maria, Mãe de Cristo e de todos os que creem Nele, pedimos que nos ajude a viver realmente como filhos de Deus.

+Dom Junior de Jesus