QUARTO DOMINGO DA PÁSCOA

O Bom Pastor mantém a esperança do rebanho

   A Igreja celebra hoje, no quarto domingo da Páscoa, a festa do Bom Pastor. Cristo Ressuscitado cuida de nós e se faz presente em todas as pessoas que, de alguma forma, entregam suas vidas pela salvação dos irmãos. Entre essas pessoas, a Igreja recorda as vocações sacerdotais e religiosas, pedindo que o Bom Pastor aumente o número de vocacionados e dê perseverança aos que já assumiram sua vocação consagrada.

   A primeira leitura (Atos 4, 8-12) afirma que Jesus é o único Salvador. Já que “não existe debaixo do céu outro nome, dado aos homens, pelo qual possamos ser salvos”, neste Domingo do Bom Pastor dizer que Jesus é  o único pastor que nos conduz em direção à vida verdadeira. Lucas avisa-nos para não nos deixarmos iludir por outras figuras, por outros caminhos, por outras sugestões que nos apresenta propostas falsas de salvação.

   O Evangelho (João 10,11-18), apresenta Cristo como “o Pastor modelo”, que ama de forma gratuita e desinteressada as suas ovelhas, até ser capaz de dar a vida por elas. As ovelhas sabem que podem confiar Nele de forma incondicional, pois Ele não busca o próprio bem, mas o bem do seu rebanho. O que é decisivo para pertencer ao rebanho de Jesus é a disponibilidade para escutar as propostas que Ele faz e segui-lo no caminho do amor e da entrega.

   Na segunda leitura (1João 3,1-2), o autor da primeira Carta de João convida-nos a contemplar o amor de Deus pelo homem. É porque nos ama com um amor admirável que Deus está pronto a nos levar a superar a nossa condição de debilidade e de fragilidade. O objetivo de Deus é integrar-nos na sua família e tornar-nos semelhante a Ele.

   Portanto, reparemos na forma como Cristo desempenha a sua missão de Pastor. Ele não atua por interesse, mas por amor; Ele não foge quando as ovelhas estão em perigo, mas defende-as, preocupa-se com elas e até é capaz da dar a vida por elas; Ele mantem com cada uma das ovelhas uma relação única, especial, pessoal, conhece os seus sofrimentos, dramas, sonhos e esperanças. As qualidades de Cristo, o Bom Pastor, aqui enumeradas, devem fazer-nos perceber que podemos confiar integral e incondicionalmente Nele e entregar, sem receio, a nossa vida nas suas mãos.

   Como Bispo Eleito da Igreja Vetero Católica Fidelitas, digo a você que está lendo essa homilia. O bom pastoreio pressupõe o conhecimento mútuo. Conhecer-se é uma das formas mais consistentes de cultivo do amor. Quando o Bom Pastor declara conhecer as ovelhas, trata-se de um conhecimento profundo, dos limites e das possibilidades, dos vícios e pecados, das sombras e das luzes. É um cuidado que abraça a integridade do outro, celebrando suas vitórias e qualidades e revelando as derrotas e dificuldades.

   O Bom Pastor domina a arte de fazer do limão uma limonada e, da pedra que à primeira vista poderia ser rejeitada, consegue, com trabalho e paciência, extrair a verdadeira pedra angular, que faz diferença na construção do Reino de Deus. Na impetuosidade instável de Pedro, o Bom Pastor enxerga a coragem e a generosidade de quem apaixonadamente se entrega a um ideal. Na aparente incredulidade de Tomé, uma chance de provoca-lo a um amadurecimento no discipulado. Na sede de poder manifestado por Tiago e João, Jesus encontra uma brecha para orientá-los no desenvolvimento do poder como serviço.

+Dom Junior de Jesus (Bispo Eleito)