HOMILIA DO XXVII DOMINGO DO TEMPO COMUM

Hoje, a liturgia nos recorda que o amor do Pai é o motivo de toda ação missionária. Este amor é comparado a uma vinha carinhosamente construída e gratuitamente ofertada. Infelizmente, nem sempre este imenso amor é acolhido e a recusa muitas vezes acontece.

Na primeira Leitura tirada de Isaias 5, 1-7, o profeta dá conta do amor e da solicitude de Deus pelo sua vinha.

A lição do cântico da vinha mostra que a nação escolhida de Deus deveria dar frutos, realizar sua obra e defender a justiça. Ela realmente deu frutos, mas estes eram ruins. Jesus disse: “Pelos seus frutos os conhecereis” (Mt 7, 20). As perguntas que ficam são: Você tem examinado seu próprio fruto recentemente? Ele é bom ou ruim?

Na segunda Leitura tirada de Filipenses 4, 6-9, Paulo diz que devemos programar nossa mente com pensamentos que sejam verdadeiros, honrosos, corretos, amáveis e dignos de louvor. Examine o que você está colocando em sua mente através da televisão, da internet, dos livros, das conversas, dos filmes, das músicas e das revistas. Substitua as coisas prejudiciais que você deixa entrar em sua mente por um material saudável. Acima de tudo, leia a Palavra de Deus e ore. Peça que Deus lhe ajude a colocar o foco de sua mente naquilo que é bom e digno diante de Deus.

O Evangelho tirado de Mateus 21, 33-43, mostra-nos uma parábola em que Deus é o vinhateiro e Israel é a vinha. O problema posto por este texto é o da coerência com que vivemos o nosso compromisso com Deus e com o Reino. Deus não obriga ninguém a aceitar a sua proposta de salvação e a envolver-se com o Reino; mas uma vez que aceitamos trabalhar na sua vinha, temos que produzir frutos de amor, de serviço, de doação, de justiça, de paz e de partilha.

A parábola convida-nos, antes de mais, a não nos deixarmos cair em esquemas de comodismo, de facilidade, de deixar andar, mas a levarmos a sério o nosso compromisso com Deus e como o Reino e a darmos frutos bons. Como Bispo deixo as seguintes questões para a meditação ao longo da semana: o meu compromisso com o Reino é sincero e empenhado? Quais são os frutos que eu produzo?

Portanto, as nossas comunidades cristãs são constituídas por homens e mulheres que se comprometeram com o Reino e que trabalham na vinha do Senhor. Por isso devem produzir frutos bons e testemunhar diante do mundo, em gesto de amor, de acolhimento, de compreensão, de misericórdia, de partilha, de serviço, a realidade do Reino que Jesus veio propor. É isso que acontece, ou limitamo-nos a ter muitos grupos, a construir espaços físicos amplos, imponentes e completamente desligadas da vida?

Diante disso, não podemos desistir, mas, olhando para o fundamento maior, somos chamados a perseverar na missão, preocupando-nos com o anuncio do amor de Deus em palavras e atitudes.

+Dom Júnior de Jesus