TERCEIRO DOMINGO DA QUARESMA

 

   Mais um passo rumo à Pascoa do Senhor. Estamos praticamente no meio da Quaresma. A cada dia que passa, deve ecoar ainda mais em nossos corações o convite à conversão. É por isso que a liturgia de hoje, destacando uma atitude tão firme de Jesus, nos recorda que a esperança e a paz são construídas através de gestos firmes e corajosos.

   Na primeira leitura (Êxodo 20,1-17 ou 1-3.7-8.12-17), Deus oferece-nos um conjunto de indicações (“mandamentos”) que devem balizar a nossa caminhada pela vida. São indicações que dizem respeito às duas dimensões fundamentais da nossa existência: a nossa relação com Deus e a nossa relação com os irmãos.
No Evangelho (João 2,13-25), Jesus apresenta-Se como o “Novo Templo” onde Deus Se revela aos homens e lhes oferece o seu amor. Convida-nos a olhar para Jesus e a descobrir nas suas indicações, no seu anúncio, no seu “Evangelho” essa proposta de vida nova que Deus nos quer apresentar.

    Os mandamentos que dizem respeito à nossa relação com os irmãos convidam-nos a despir desses comportamentos que geram violência, egoísmo, agressividade, cobiça, intolerância, escravidão, indiferença face às necessidades dos outros. Tudo aquilo que atenta contra a vida, a dignidade, os direitos dos nossos irmãos, é algo que gera morte, sofrimento, escravidão, para nós e para todos os que nos rodeiam e é algo que contribui para subverter os projetos de vida e de felicidade que Deus tem para nós e para o mundo. O que é que, nos meus gestos, nas minhas atitudes, nos meus valores, é gerador de injustiça, de sofrimento, de exploração, de escravidão, de morte, para mim e para todos aqueles que me rodeiam?

   Na segunda leitura (1 Coríntios 1,22-25), o apóstolo Paulo sugere-nos uma conversão à lógica de Deus. É preciso que descubramos que a salvação, a vida plena, a felicidade sem fim não está numa lógica de poder, de autoridade, de riqueza, de importância, mas está na lógica da cruz – isto é, no amor total, no dom da vida até às últimas consequências, no serviço simples e humilde aos irmãos.

   Portanto, Jesus Cristo é o centro de nossas vidas e do nosso anuncio. São Paulo afirma: “Os Judeus pedem sinais, os gregos andam em busca de sabedoria; nós, porém, anunciamos Jesus Cristo crucificado, que para os judeus é escândalo, para os gregos é loucura”. É a experiência do amor de Cristo, que continua se dando a nós hoje, que se deixa encontrar por nós na Palavra, na Eucaristia, nos sacramentos, na oração, no irmão; que vai nos sustentando na luta cotidiana da nossa vida e nos fazendo viver os mandamentos como resposta de amor Àquele que nos amou primeiro.

+Dom Junior de Jesus