PRIMEIRO DOMINGO DA QUARESMA

Vencer a tentação  que destrói a esperança e a paz

   Ao iniciar nossa caminhada quaresmal rumo à Pascoa do Senhor, somos, neste primeiro domingo, convidados a perceber, enfrentar e vencer a tentação. Este ano, a Campanha da Fraternidade nos alerta para a tentação da falta de diálogo e respeito ao diferente.

   A primeira Leitura (Gn.9,8-15), nos fala da Aliança que Deus faz com Noé e com toda humanidade é uma aliança totalmente gratuita e que não depende do arrependimento do homem ou das contrapartidas que o homem possa oferecer a Deus. Nos termos desta aliança revela-se um Deus que se recusa a fazer guerra ao homem, que abençoa e abraça o homem, que ama o homem mesmo quando ele continua a trilhar caminhos de pecado e de infidelidade. Como Bispo Eleito da Igreja Vetero Católica Fidelitas, lembro ao irmão(a) que está lendo essa homilia que, nesta quaresma, somos convidados a fazer esta experiência de um Deus que nos ama apesar das nossas infidelidades, e somos convidados, também, a deixar que o amor de Deus nos transforme e nos faça renascer para a vida nova.

   O primeiro domingo da Quaresma (Marcos 1,12-15), nos traz a passagem das tentações de Jesus. Conduzido pelo Espírito ao deserto, aí Jesus foi tentado por satanás. Deserto é lugar de desafios, de provação e de perigos. É esse ambiente hostil que o Espírito leva Jesus, e é aí que Jesus revela sua ousadia ao enfrentar satanás, seu grande adversário.

   Preparado pelo retiro quaresmal e tendo vencido seu adversário, Jesus se dirige para a Galileia, onde inicia sua missão, proclamando a proximidade do Reino de Deus. O Reino não acontece de forma mágica, nem desce do céu por intervenção divina, nem se concretiza na base da violência, mas depende da conversão das pessoas e do acolhimento do Evangelho.

   Na segunda Leitura tirada da Carta de Pedro (1Pedro 3,18-22), recorda que, pelo Batismo, os cristãos aderiram a Cristo e à salvação que Ele veio oferecer. Comprometeram-se, portanto, a seguir Jesus no caminho do amor, do serviço, do dom da vida, e, envolvidos nesse dinamismo de vida e de salvação que brota de Jesus, tornaram-se o princípio de uma nova humanidade.

   Portanto, quarenta dias, tempo de recolhimento, de revisão se vida, tempo que começou quando colocaram cinza em nossa cabeça, somos pó, poeira que o vento leva. Período em que temos diante dos olhos a anual celebração da Pascoa, tempo de reflexão, de acelerar nosso processo de conversão para ganha tempo, tempo para compreender o que vem a ser o homem novo.

   Como Bispo Eleito convido a cada um(a) a repetir “Oxalá ouvísseis hoje a voz do Senhor e não endureçais os vossos corações”. Aconselho que você faça um retiro espiritual ao longo dessa quaresma meditando: o que somos? O que realizamos? O que nos faz viver? Onde está nosso tesouro?

+Dom Júnior de Jesus