HOMILIA DO PRIEMIRO DOMINGO DO ADVENTO

PRIMEIRO DOMINGO DO ADVENTO

Iniciamos hoje o tempo do advento. Este período nos recorda que nossa vida é um constante caminhar rumo ao Cristo que veio, vem e virá. Recorda também que precisamos estar preparados para esta grande encontro. É por isso que a Mãe Igreja nos oferece o exemplo e a intercessão da Mãe Maria, em especial neste tempo marcado por uma pandemia. Oferece-nos ainda a exortação de São João Batista, a Novena do Natal, o Sacramento da Reconciliação e tantas outras ajudas.

   A primeira leitura tirada do Profeta Isaias 63, 16-17; 64,2-7, reconhecendo a triste situação em que se encontra Israel como justo castigo pelos pecados, o profeta mostra em forma de queixa coletiva a esperança do povo. Esta esperança tem fundamento na lembrança dos imensos benefícios realizados na história de Israel. Não foge ao profeta a impossibilidade de se voltar a Deus se Ele mesmo não tomar a iniciativa de se voltar para seu povo mediante o perdão e a misericórdia. Daí a suplica de Israel: “Ah! Se rompesses os céus e descesses!” (Is 63,19). E aqui a profecia aponta para a vinda do servo, do messias: “Vens ao encontro de quem pratica a justiça com alegria, de quem se lembra de ti em teus caminhos!” (Is 64, 4).

   O Evangelho deste Domingo (Marcos 13,33-37), coloca-nos diante de uma certeza fundamental: “o Senhor vem”. A nossa caminhada humana não é um avançar sem sentido ao encontro do nada, mas uma caminhada feita na alegria ao encontro do Senhor que vem. Não se trata de uma vaga esperança, mas de uma certeza baseada infalível de Jesus.

   O “dono da casa” da parábola é, evidentemente, Jesus. Ao deixar este mundo para voltar para junto do Pai, Ele confiou aos discípulos a tarefa de construir o “Reino” e de tonar realidade um mundo construído de acordo com os valores do Reino. Os discípulos de Jesus não podem, portanto, cruzar os braços, à espera que o Senhor venha; eles tem uma missão, uma missão que lhes foi confiada pelo próprio Jesus e que eles devem concretizar, mesmo em condições adversas. É necessário não esquecer isto: esta espera, vivida no tempo da história, não é uma espera passiva, de quem se limita a deixar passar o tempo até que chegue um final anunciado; mas é uma espera ativa, que implica um compromisso com a construção de um mundo mais humano, mais fraterno, mais justo.

    A segunda leitura tirada de 1 Coríntios 1,3-9, mostra o Apostolo dos gentios, escrevendo aos irmãos de Corinto, assegura-lhes a eles e a nós que da parte do Senhor nada nos falta para perseverarmos até a vindo do Senhor. “É ele que vos dará perseverança em vosso procedimento irrepreensível, até ao fim, até ao dia de nosso Senhor Jesus Cristo” (1Cor 1,8).

   Portanto, o tempo do advento nos convida a nos prepararmos para a vinda de Jesus por meio da escuta e da vivencia da Palavra de Deus, da oração e da vigilância. Queremos percorrer este novo ano litúrgico, que estamos iniciando, agradecidos porque o Senhor vem sempre ao nosso encontro quando o invocamos com confiança e praticamos sua justiça.

   Com o primeiro Domingo do Advento, iniciamos um Ano Litúrgico. Pela liturgia somos convocados a entrar em clima de vigília, a fim de que nossos corações se voltem mais profundamente para o Mistério da Encarnação de Cristo.

   Confiemos nossa peregrinação neste novo ano litúrgico àquela que diz: “Faça-se”, cumpra-se em mim segundo a tua palavra. Lembrando sempre que este, portanto, é um tempo para nos reunirmos em família, com os amigos e com os que estão sofrendo. É um tempo para aumentar a caridade e o amor fraterno. Á nossa volta, encontramos vários sinais de sofrimento e destruição. O Senhor Jesus nos convoca à conversão e a missão de fazer a nossa parte na vitória sobre o pecado. Que a vivencia do advento nos fortaleça neste caminhar.

 

+DOM JÚNIOR DE JESUS