Homilia do XXIX Domingo do Tempo Comum

 

A celebração de hoje nos convida a crescer sempre mais no espírito missionário, que tanto marcou os primeiros cristãos, pois todos somos chamados a mesma atitude, na certeza de que Jesus Cristo não se deixa tolher no cumprimento da grande missão que recebeu do Pai.

A primeira Leitura tirada de  Isaias 45, 1-6, mostra que esta é a única passagem na Bíblia, em que está escrito que um governante gentio foi “ungido”. Deus é o poder acima de todos os governantes, e Ele unge quem decidir para suas tarefas especiais. A pergunta que fica é: Por que Deus ungiu Ciro? Porque Deus tinha uma tarefa especial para que ele fizesse por Israel. Ciro permitiria a reconstrução da cidade de Deus, Jerusalém, e libertaria os exilados, sem esperar nada em troca. Poucos reis de Israel ou Judá fizeram tanto pelo povo de Deus como Ciro faria.

Como Bispo Eleito da Igreja Vetero Catolica Fidelitas, digo a você nesse Domingo: Deus governa a luz e a escuridão, os bons momentos e os maus. Em nossa vida diária são borrifados estes dois tipos de experiências, e ambos são necessários para que possamos crescer espiritualmente. Preste atenção nesse conselho. Quando vierem os tempos bons, agradeça a Deus e use sua prosperidade para ele. Quando vierem os tempos maus, não se ressinta deles, mas pergunte o que você pode aprender com esta experiência purificadora para se tornar um servo(a) melhor para Deus.

No Evangelho de Mateus 22, 15-21, Jesus evitou essa armadilha, mostrando que temos dupla cidadania (1Pe 2,17). Nossa cidadania na nação exige que paguemos impostos pelos serviços e benefícios que recebemos. Nossa cidadania no reino dos céus exige que prometamos a Deus nossa obediência e nosso comprometimento. O Evangelho de hoje nos ensina que o homem, sem deixar de cumprir as suas obrigações com a sociedade em que está inserido, pertence a Deus e deve entregar toda a sua existência nas mãos de Deus.

Na segunda leitura 1Tes 1, 1-5b, Paulo lembrou os tessalonicenses de sua condição como “escolhidos” de Deus.  Ser escolhido é algo que se origina no coração de Deus e não em nossas mentes; isso deve ser um incentivo para agradar a Deus e não ignorá-lo, e deve dar origem a gratidão.

A escolha que Deus faz de nós nos energiza a obedecer e a servir. A escolha que fazemos de Deus nos desafia a viver uma vida digna dele. Como você reage ao considerar a escolha divina que Deus faz a seu respeito? O que o poder de Deus já fez na sua vida, desde que você creu?

Como Bispo chamo sua atenção para o seguinte: O Espírito Santo Transforma as pessoas, quando elas creem nas boas-novas. Quando falamos a outras pessoas a respeito de Cristo, devemos confiar que o Espírito Santo abrirá seus olhos e as convencerá de que elas precisam da salvação. Meu irmão e minha irmã, é o poder de Deus, e não nossa inteligência que transforma as pessoas. Sem a obra do Espírito Santo, nossas palavras não tem sentido.

Paulo escreveu: “Bem sabeis quais fomos entre vós, por amor de vós”. Os tessalonicenses tinham enxergado que aquilo que Paulo, Silas e Timóteo estavam pregando era verdade, porque esses homens tinham vivido essa verdade. Como Bispo deixo a seguinte pergunta para sua reflexão ao longo da semana: sua vida confirma ou contradiz aquilo em que você diz crer?

Portanto, se a mensagem de Cristo é universal, é necessário que aqueles que dela beneficiaram não aguardem só para si, mas devem anuncia-la, gritá-la, e dar aqueles que partiram para anunciar os meios de fazer conhecer. O Dia Mundial das missões vem alertar que essa mensagem não consiste apenas em palavras para escutar, mas numa palavra que faz viver, que volta a erguer, que dá felicidade.

+Dom Júnior de Jesus