3º DOMINGO DA PÁSCOA

“Deve obedecer-se antes a Deus do que aos homens”

   Irmãos e irmãs, fomos convocados pelo Senhor Ressuscitado para nos reunirmos em torno do altar e celebrar sua Páscoa, em ação de graças ao Pai, na força e no poder do Santo Espírito. Ele hoje nos convida a cear com Ele e a segui-lo com a disponibilidade do serviço que só experimenta quem ama de verdade.

     Hoje, também celebramos a “festa do trabalho”, criada pela Internacional Socialista em 1889, é celebrada, na Europa, no dia 1 de Maio. O catolicismo quis dar-lhe uma dimensão cristã. Instituiu a festa de S. José Operário, colocando-a nesse dia. Ninguém mais do que o humilde trabalhador de Nazaré pode ensinar aos outros trabalhadores a dignidade do trabalho, e protegê-los com a sua intercessão junto de Deus.

   A primeira leitura (Atos 5,27b-32.40b-41) mostra-nos que a questão principal gira à volta do confronto entre o cristianismo nascente e as autoridades judaicas. A frase de Pedro “deve obedecer-se antes a Deus do que aos homens” (vers. 29); define a atitude que os cristãos são convidados a assumir diante da oposição do mundo.

   Qual a nossa atitude, em concreto, diante daqueles que “assassinam” a proposta de Jesus e que constroem um mundo de onde a lógica de Deus está ausente: é de medo, de fraqueza, de submissão, ou de denúncia firme, corajosa e desassombrada? Para nós, o que é mais importante: obedecer a Deus ou aos homens?

   O Evangelho (Jo 21,1-19) convida-nos a constatar a centralidade de Cristo, vivo e ressuscitado, na missão que nos foi confiada. Podemos esforçar-nos imenso e dedicar todas as horas do dia ao esforço de mudar o mundo; mas se Cristo não estiver presente, se não escutarmos a sua voz, se não ouvirmos as suas propostas, se não estivermos atentos à Palavra que Ele continuamente nos dirige, os nossos esforços não farão qualquer sentido e não terão qualquer êxito duradouro. É preciso ter a consciência nítida de que o êxito da missão cristã não depende do esforço humano, mas da presença viva do Senhor Jesus.

   O diálogo final de Jesus com Pedro chama a atenção para uma dimensão essencial do discipulado: “seguir” o “mestre” é amá-lo muito e, portanto, ser capaz de, como Ele, percorrer o caminho do amor total e da doação da vida.

   O texto que nos é proposto  na segunda leitura (Ap 5,11-14) faz parte da visão inicial, onde o profeta João nos apresenta as personagens centrais que vão intervir na história humana: Deus, transcendente e omnipotente, sentado no seu trono, rodeado pelo Povo de Deus e por toda a criação (cf. Ap 4,1-11); depois, o “livro” onde, simbolicamente, está o desígnio de Deus acerca da humanidade (cf. Ap 5,1-4); finalmente, é-nos apresentado “o cordeiro” (Jesus), aquele que detém a totalidade do poder (“sete cornos”) e do conhecimento (“sete olhos”); só ele é digno de ler o livro, ou seja, de revelar, de proclamar, de concretizar para os homens o projeto divino de salvação.

   Portanto, Neste terceiro domingo de Páscoa, a Igreja nos ensina a ter confiança. A morte de cruz encerrou o ministério terreno de Jesus. Ao exclamar: “Tudo está consumado!”, ele proclamou ter cumprido a missão recebida do Pai. Todavia, restava muito a ser feito. A missão, agora, é confiada aos discípulos que, reanimados pelo Cristo ressuscitado, serão suas testemunhas.  Embora o mundo se oponha ao projeto libertador de Jesus testemunhado pelos discípulos, o cristão deve antes obedecer a Deus do que aos homens.

+Dom Júnior de Jesus (Bispo Eleito)