INSPIRAÇÃO DIVINA DA PALAVRA DE DEUS

INSPIRAÇÃO DIVINA DA PALAVRA DE DEUS

Não há dúvidas que os profetas se declaravam, no Antigo Testamento, como pessoas que traziam a Palavra de Deus para o povo. Portanto, eles já sentiam a “inspiração da vontade de Javé” para ensinar o povo. Eles estão convencidos de que a Palavra de Deus deve ser proclamada, dita e testemunhada. O Espírito de Javé os impele a anunciar, a ensinar, a denunciar, a proclamar e a testemunhar. Tudo isso acontece por via oral ou por via escrita. É o que o próprio Cristo irá dizer, que os Salmos são ditos no Espírito Santo (Mc. 12, 36).

Segundo o Apostolo Pedro as Palavras dos Profetas do Antigo Testamento são dirigidas pelo Espírito Santo; e as escrituras no seu todo são “inspiradas por Deus” (2Pd 1, 21).

A partir do século IV, já se tem uma consciência clara de que Deus é o autor das Sagradas Escrituras. É Ele quem inspira os escritores ou pregadores. Isso vai contra o Maniqueísmo que ensinava que a Escritura era sugerida por um demiurgo ou pelo próprio satanás. Contra isso, decisivamente, se manifestaram Santo Ambrósio e Santo Agostinho.

Pouco a pouco se vai formando a consciência eclesial sobre o tema da “inspiração divina na Bíblia”. Deus é o autor das ideias que estão contidas na Palavra de Deus.

Na Idade Média, sobretudo com São Tomás de Aquino, o assunto é assumido como tema de Escola. Do mesmo modo como aconteceu na Patrística, nas Escolas medievais se ensina também que Deus é o autor primeiro das ideias da Sagrada escritura.

Aqui, desponta uma brecha de preocupação para o Magistério. Os protestantes assumem que a Bíblia, regra única da fé, é dita quase que mecanicamente por Deus. E, deve ser entendida como está ali. Ou seja, os escribas são meros ‘secretários’ de Deus.

A Teologia Católica sempre assumiu a posição de que Deus é o autor primeiro da Palavra Divina, embora reconheça que a inspiração se prenda as formas de originalidade literária e histórica, a que os hagiógrafos estão sujeitos. A inspiração se atem as formas de originalidade históricas que qualificam o livro em si, e aos gêneros literários como são escritos. Esses revestem a sabedoria divina.

Nós temos, então, o que ensina o catolicismo: O Concílio Vaticano I diz que os “Livros Bíblicos são sagrados e canônicos porque são escritos sob a inspiração do Divino Espírito Santo, onde Deus é o autor primeiro, e os confiou a Igreja” (DZ 1787).

O Papa Leão XIII, na Encíclica Providentissimus Deus, assim ensina: “O Espírito Santo conferiu aos hagiógrafos uma força sobrenatural que os impulsionou e determinou o que deviam escrever; e, não só, os assistiu enquanto escreviam, e isto de uma forma tal que esses autores, sob o impulso do Espírito Santo, compreenderam concretamente tudo que escreveram, e somente isso, a que foram orientados, e escreveram com toda fidelidade, expressando-se sem algum erro” (DZ 1952).

Como Bispo Eleito da Igreja Vetero Católica Fidelitas, faço questão de chamar sua atenção nesse ponto do artigo, sobretudo, você que quer aprofundar os estudos da sagrada escritura. Nunca se esqueça de ensinar que as Escrituras Santas têm como autor divino o Espírito Santo, a Sabedoria de Deus; e como autores humanos, os hagiógrafos. Isso valer dizer que é necessário, no estudo da Teologia Bíblica, o conhecimento dos elementos históricos e literários de cada época e de cada autor. É toda a questão da crítica textual. É o estudo científico da Sagrada Escritura.

Pio XII, com a encíclica Divino AFlante Spiritu, sugere a relação entre a causa primeira da inspiração da Sagrada Escritura e a causa instrumental, que são os hagiógrafos. A causa instrumental é conduzida pelo Espirito Santo, pela causa primeira. A causa instrumental está submetida a causa primeira que a Sabedoria Divina.

Essa mesma doutrina do catolicismo será repetida pelo Papa Bento XV. Enfim, o Magistério ensina que a Inspiração Divina não é ditado mecânico; mas é a moção que o Espírito Santo faz a vontade e a inteligência do hagiógrafo para passar ao Povo de Deus aquilo que deve ser passado. Assim, a inspiração divina se estende a todos os Livros e a todas as suas partes. Tudo o que o autor sagrado expressa, no seu gênero literário, foi desejado por Deus, e não comporta erro algum.

Embora, se deva reconhecer que o escrito de tal ou qual autor se sirva das informações ou dados da singularidade de alguém ou da comunidade. Deus pode se servir, para inspirar o hagiógrafo, desses possíveis recursos. É o que viria a ser chamado, em Teologia Fundamental, o ‘senso da comunidade de fé’.

Os teólogos do catolicismo são concordes em dizer que a Sagrada Escritura deve ser avaliada em seu gênero literário e no contexto histórico em qual escrito foi realizado.

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+Dom Júnior de Jesus